Psicoterapia nas disfunções sexuais: Combinação de tratamento médico e psicológico

Psicoterapia nas disfunções sexuais: Combinação de tratamento médico e psicológico

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Muitas vezes, os tratamentos médicos para disfunção sexual (aprovados e off-label) são direcionados à mecânica da função e não contemplam os aspectos psicossociais.

Do mesmo modo, a intervenção psicológica isolada pode ser dispendiosa e não produzir melhora rápida dos sintomas.

A terapia combinada aborda as questões físicas/médicas relevantes, bem como questões psicossociais que predispõem, precipitam e mantêm a disfunção sexual.

Utiliza-se o poder de ambos os tratamentos (médico e psicológico) para aumentar a eficácia e a satisfação relacional/sexual, diminuindo o abandono terapêutico precoce pelo paciente. A combinação dessas duas modalidades também proporciona melhora mais rápida dos sintomas, encurtando, assim, o processo.1

Os inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE-5) são eficazes em 70% dos homens com disfunção erétil. Entretanto, 60 a 70% dos pacientes interrompem o tratamento.2

Em resposta ao índice elevado de descontinuação, urologistas passaram a implementar “estratégias de otimização”, visando educação, adequação de dose e acompanhamento.

Contudo, essas propostas não abordam questões psicossociais cruciais, como reiniciar a vida sexual após um longo período de abstinência, resistência ou preocupações/disfunção de parceiros, falta de confiança, ansiedade de desempenho, depressão, conflitos no relacionamento, sexo não convencional e expectativas pouco realistas.

A terapia combinada inclui as recomendações de otimização médica, ao mesmo tempo que aborda as barreiras psicossociais que dificultam a eficácia, a satisfação e a continuidade do tratamento, bem como identifica problemas do parceiro que possam impedir o sucesso terapêutico.

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A maioria das pesquisas sobre terapia combinada se concentra em disfunção erétil, o que demonstra que os tratamentos médicos e psicológicos combinados resultam em melhora da eficácia das intervenções médicas, diminuição dos índices de abandono do tratamento, tratamento otimizado e maior satisfação sexual em comparação com a intervenção médica isolada.3

As intervenções psicológicas mais utilizadas nesses estudos incluem: grupo psicopedagógico, tratamento semanal de grupo, aconselhamento individual semanal e uso de manual informativo associado à assistência telefônica por um terapeuta.4

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. Althof S. Sex therapy in the age of pharmacotherapy. Annu Rev Sex Res. 2006;17:116-32.
  2. Rosen RC, Fisher WA, Eardley I, Niederberger C, Nadel A, Sand M. The multinational Men’s Attitudes to Life Events and Sexuality (MALES) study: prevalence of erectile dysfunction and related health concerns in the general population. Curr Med Res Opin. 2004;20(5):607-17.
  3. Perelman M. Combination therapy for sexual dysfunction: Integrating sex therapy and pharmacotherapy. In: Balon R, Segraves R, editors. Handbook of sexual dysfunction. New York: Taylor and Francis; 2005. p.13-41.
  4. Althof S. What’s new in sex therapy. J Sex Med. 2010;7(1):5-13.

Autores

Carmita H. N. Abdo