Psicoterapia nas disfunções sexuais: Intervenções sistêmicas na terapia sexual

Psicoterapia nas disfunções sexuais: Intervenções sistêmicas na terapia sexual

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Introdução

As intervenções sistêmicas (ou relacionais) se concentram na interação dinâmica entre os indivíduos envolvidos na relação sexual.

Cada parceiro traz, para a interação sexual, um conjunto de experiências familiares e sociais. Essas experiências influenciam os significados que cada um atribui ao comportamento do outro parceiro. Portanto, problemas não sexuais de relacionamento podem influenciar o funcionamento sexual.1

Clinicamente, às vezes os problemas sexuais são a causa e, outras vezes, a consequência de relações disfuncionais ou insatisfatórias.

Os conflitos de relacionamento podem ser a fonte primária da dificuldade sexual ou podem servir para exacerbar e manter a disfunção. Falta de comunicação, baixa satisfação no relacionamento, hostilidade, raiva e pouco carinho são apenas alguns dos fatores associados a disfunções sexuais.2

Muitas vezes, a terapia de casal é acrescida à terapia sexual e se concentra em questões próprias do relacionamento. Quando um casal tem problemas de relacionamento importantes, estes devem ser o foco antes do problema sexual.

A seguir, são apresentados os conceitos sistêmicos utilizados como ferramentas em terapia.1

Interdependência

Como os componentes de um sistema estão inter-relacionados, o comportamento de cada um afeta todos os demais. Essa influência mútua é chamada de interdependência, noção útil para entender a resistência dos casais à mudança em resposta à terapia sexual.

Por exemplo, embora a falha de ereção possa ser um problema para o casal, também pode ajudar a manter o equilíbrio. A disfunção do homem pode fazê-lo sentir-se menos seguro, e, como resultado, ele pode ser menos assertivo.

Se a disfunção sexual for tratada com sucesso, o homem pode tornar-se mais assertivo, alterando, assim, o equilíbrio no relacionamento conjugal.

Logo, a compreensão da interdependência entre os diferentes aspectos do relacionamento do casal facilita o êxito da terapia sexual.

Feedbacks

Referem-se a um processo circular, no qual a entrada (input) é transformada pelo sistema em saída (output), e a saída é trazida de volta ao sistema como entrada.

Os laços de feedback negativo servem para manter o estado do sistema dentro de certos limites. Em contrapartida, o feedback positivo serve para promover mudanças no sistema.

Assim, se uma atividade sexual é bem-sucedida, ela “alimenta” futuras atividades exitosas, da mesma forma que falhas sexuais se cronificam.

Logo, se um paciente obtém êxito em uma relação sexual (após um período de falhas), esse fato pode ser o início de uma fase de êxitos sucessivos.

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. Jurich JA, Myers-Bowman KS. Systems theory and its application to research on human sexuality. J Sex Res. 1998;35(1):72-87.
  2. Brotto L, Atallah S, Johnson-Agbakwu C, Rosenbaum T, Abdo C, Byers ES, et al. Psychological and interpersonal dimensions of sexual function and dysfunction. J Sex Med. 2016;13(4):538-71.

Autores

Carmita H. N. Abdo