Psicoterapia nas disfunções sexuais: Intervenções cognitivas na terapia sexual
Ver também
- Psicoterapia nas disfunções sexuais: Aspectos introdutórios
- Evolução das intervenções psicoterapêuticas para disfunções sexuais
- Fatores predisponentes, desencadeantes e mantenedores das disfunções sexuais
- Avaliação do paciente com disfunções sexuais
- Objetivos do tratamento para disfunções sexuais
- Estratégias psicoterapêuticas para disfunções sexuais
- Terapia sexual de base cognitivo-comportamental
- Intervenções sistêmicas na terapia sexual
- Terapia psicanalítica
- Psicoterapia de grupo tematizada e de tempo limitado
- Mindfulness
- Terapia sexual via internet
- Combinação de tratamento médico e psicológico
- Terapia sexual para disfunções sexuais masculinas
- Terapia sexual para disfunções sexuais femininas
- Evidências de eficácia das intervenções psicoterápicas
Pensamentos e crenças
Ao longo da vida, os indivíduos desenvolvem certas crenças sobre sua própria sexualidade e a de outras pessoas. Algumas dessas crenças são fundamentais.
Vários pensamentos e crenças automáticas distinguem indivíduos sexualmente funcionais daqueles disfuncionais, bem como pensamentos e crenças associados a emoções negativas (durante a atividade sexual) e função sexual problemática.
Ou seja, pensamentos automáticos negativos durante a atividade sexual estão associados com respostas emocionais negativas durante o ato sexual e menos excitação.1
Receio de falhar no ato sexual, por exemplo, pode gerar ansiedade maior do que aquela que seria positiva para o desempenho e o prazer. Consequentemente, a falha se torna repetitiva em virtude do pensamento automático instalado, o qual se sobrepõe à excitação e à sensação de prazer.
Intervenções cognitivas
As intervenções cognitivas envolvem técnicas para tornar os pensamentos mais conscientes e modificá-los quando eles são distorcidos ou inúteis.
Usa-se a razão e a evidência para substituir padrões de pensamento distorcidos por outros mais precisos e funcionais.
As três etapas básicas dessas intervenções cognitivas são:2
- Identificação dos pensamentos ou crenças que estão provocando a emoção perturbadora.
- Avaliação da utilidade, usando lógica e evidência.
- Modificação, para tornar os pensamentos mais precisos e úteis.
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A terapia
O terapeuta se abstém de assumir que os pensamentos do paciente estão distorcidos.
Ambos questionam a explicação errônea e chegam à explicação mais razoável.
Os pacientes também são encorajados a se envolver nesse processo por conta própria, no intervalo entre as sessões, usando exercícios escritos e planilhas especializadas.
Um paciente pode, por exemplo, responder a questionários (com alternativas de certo ou errado) em aplicativos que tratem de temas sexuais. Então, ele traz para a sessão o resultado obtido para discutir com o terapeuta.
Na prática, as mudanças cognitivas são combinadas com modificações comportamentais e emocionais.
Essas três dimensões estão inter-relacionadas, e qualquer modificação em uma delas afeta as demais, como preconiza a terapia cognitivo-comportamental (TCC).
Referências
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
- Nobre P, Pinto-Gouveia J. Cognitions, emotions, and sexual response: analysis of the relationship among automatic thoughts, emotional responses, and sexual arousal. Arch Sex Behav. 2008;37(4):652-61.
- Kirana E. Psychosexual treatment methods in sexual medicine. In: Porst H, Reisman Y, editors. ESSM syllabus of sexual medicine 2012. Amsterdam: Medix; 2012. p.381-98.
Autores
Carmita H. N. Abdo