Psicoterapia nas disfunções sexuais: Terapia sexual para disfunções sexuais femininas
Ver também
- Psicoterapia nas disfunções sexuais: Aspectos introdutórios
- Evolução das intervenções psicoterapêuticas para disfunções sexuais
- Fatores predisponentes, desencadeantes e mantenedores das disfunções sexuais
- Avaliação do paciente com disfunções sexuais
- Objetivos do tratamento para disfunções sexuais
- Estratégias psicoterapêuticas para disfunções sexuais
- Terapia sexual de base cognitivo-comportamental
- Intervenções cognitivas na terapia sexual
- Intervenções sistêmicas na terapia sexual
- Terapia psicanalítica
- Psicoterapia de grupo tematizada e de tempo limitado
- Mindfulness
- Terapia sexual via internet
- Combinação de tratamento médico e psicológico
- Terapia sexual para disfunções sexuais masculinas
- Evidências de eficácia das intervenções psicoterápicas
Introdução
A resposta sexual feminina, diferentemente da masculina, costuma ser menos genital e mais influenciada por aspectos de intimidade, sensualidade e afeto.
Desejo sexual hipoativo
O desejo sexual hipoativo é a queixa feminina mais prevalente no envelhecimento.
Essa disfunção, quando tratada, atinge melhores resultados em 56% dos casos nos quais o casal é tratado.1
O acompanhamento de longo prazo é raro, e a evolução costuma ser pior quando o parceiro também manifesta pouco desejo.
O planejamento terapêutico deve incluir estratégias para melhorar a comunicação do casal, reduzir a ansiedade de desempenho e ampliar as habilidades sexuais de ambos.
Dificuldade para o orgasmo e anorgasmia
Frequentemente, a dificuldade para o orgasmo e a anorgasmia estão associadas a receio de perda de controle, ciúmes, menor assertividade e atitudes negativas em relação à atividade sexual e à masturbação.
O diagnóstico de anorgasmia ou dificuldade para o orgasmo deve ser feito com muito cuidado, para que a diminuição do desejo e/ou da excitação não seja subdiagnosticada, comprometendo o resultado do tratamento instituído.
A abordagem terapêutica difere conforme o tipo de anorgasmia, ou seja, ao longo da vida ou adquirida.
O treinamento de masturbação é mais eficaz quando a dificuldade é ao longo da vida e generalizada (autoestimulação para identificar o tipo de estímulo que aumenta a excitação e o prazer). Então, o parceiro é orientado e incluído, dada a importância do tratamento do casal nesses casos.2
Já o tratamento da anorgasmia adquirida deve combinar educação sexual, treinamento de habilidades sexuais, masturbação, exercícios de “toques” (sem finalidade de cópula) e exercícios que trabalhem a imagem corporal e as atitudes sexuais negativas.
Dor genitopélvica
Nos casos de dor genitopélvica (dispareunia de causa psicogênica e vaginismo), a terapia sexual tem conseguido bons resultados, especialmente com a técnica de dessensibilização sistemática e a prática de mindfulness.
É necessário um profissional treinado para realizar a terapia de modo adequado e eficaz.
Insatisfação sexual
Há mulheres que referem insatisfação sexual (falta de prazer, de entusiasmo e de recompensa no sexo) ainda que desenvolvam por completo o ciclo de resposta sexual.
Essa situação também deve ser abordada no processo terapêutico a fim de identificar a causa e tratá-la. Um quadro depressivo, por exemplo, pode ser a base dessa insatisfação.3
Referências
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
- Hawton K. Treatment of sexual dysfunctions by sex therapy and other approaches. Br J Psychiatry. 1995;167(3):307-14.
- Kilmann P, Mills KH, Caid C, Davidson E, Bella B, Milan R, et al. Treatment of secondary orgasmic dysfunction: an outcome study. Arch Sex Behav. 1986;15(3):211-29.
- Abdo CHN. Abordagem psicoterápica das disfunções sexuais. In: Rhoden EL, Barros E, organizadores. Urologia no consultório. Porto Alegre: Artmed; 2009. p.441-55.
Autores
Carmita H. N. Abdo