Psicoterapia nas disfunções sexuais - Combinação de tratamento médico e psicológico: Exemplo clínico
Após obter diagnóstico de câncer de próstata, F., 55 anos, foi submetido à prostatectomia radical, que resultou em dificuldade de ereção.
Seu urologista prescreveu um inibidor da fosfodiesterase tipo 5 (PDE-5) para tratamento da disfunção erétil, mas sem sucesso.
Em seguida, F. recebeu injeções intracavernosas de medicamentos vasoativos, que resultaram em ereções suficientes para a relação sexual.
Transcorridos 3 anos da cirurgia, F. e sua parceira decidiram consultar um terapeuta sexual, pois o casal não mantinha relações sexuais há mais de 2 anos. Esse fato não era decorrente da disfunção erétil (ainda tratada com sucesso por meio de injeções intracavernosas), mas porque a parceira descobriu a infidelidade de F., alguns meses após a cirurgia.
A partir de então, ela estava ressentida, magoada, com baixa autoestima e desejo sexual diminuído em virtude da traição, ocorrida assim que o marido recuperou a capacidade de ereção. Queixava-se, também, de que ele passou a focar apenas a própria capacidade erétil, estando desatento às necessidades dela.
F., por sua vez, sentia-se constrangido e culpado (pela traição), além de humilhado por não proporcionar prazer à esposa na relação. Afirma que sente desejo por sua parceira, mas está desanimado porque “as coisas” (sic) não são mais como antes.
A intervenção medicamentosa, que devolveu a capacidade de ereção a F., não conseguiu superar os obstáculos psicossexuais.
Após implementada a psicoterapia, foram sendo elucidados e trabalhados os ressentimentos e as perdas de parte a parte, bem como as responsabilidades, e o casal resgatou a satisfação sexual.
Esse caso ilustra a necessidade de tratamento combinado (farmacológico e terapia sexual).
Referência
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
Autores
Carmita H. N. Abdo