Psicoterapia nas disfunções sexuais: Evidências de eficácia das intervenções psicoterápicas

Psicoterapia nas disfunções sexuais: Evidências de eficácia das intervenções psicoterápicas

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Introdução

A abordagem psicoterápica das disfunções sexuais já se confirmou na prática como medida de extremo valor e como tratamento de primeira linha dessas condições, sejam elas psicogênicas ou de etiologia orgânica complicada pelo comprometimento emocional ou secundárias a problemas de relacionamento.

Há escassez de dados dos resultados de estudos de terapia sexual, sobretudo em comparação com o grande número de estudos de intervenções medicamentosas para disfunções sexuais.

Disfunções sexuais femininas

Para disfunções sexuais femininas, a maioria dos estudos tem níveis de evidência 2, 3 e 4.1

Nos transtornos de desejo e excitação, terapia cognitivo-comportamental (TCC), e exercícios comportamentais, como foco sensorial e prática de mindfulness, têm mostrado resultados promissores.

Para o tratamento de transtornos do orgasmo, intervenções comportamentais (exercícios de masturbação ou combinação com TCC) se mostraram altamente efetivas.

Quanto à dor na relação sexual (dispareunia), exercícios de dessensibilização e TCC apresentaram resultados positivos, enquanto TCC combinada a exercícios de relaxamento demonstrou ser útil no vaginismo.

Quando os problemas de relacionamento são simultâneos à disfunção sexual, é benéfico incluir intervenções que solucionem essas dificuldades.

Disfunções sexuais masculinas

Níveis de evidência 2, 3 e 4 também são observados nos estudos de intervenção psicoterápica nas disfunções sexuais masculinas.1

Para a disfunção erétil, a combinação de exercícios comportamentais (foco sensorial e exercícios de masturbação), bem como TCC e intervenções psicodinâmicas, têm conduzido a resultados positivos.

No caso da ejaculação precoce, técnicas comportamentais (stop-start e TCC) são úteis, mas o resultado em longo prazo frequentemente não se sustenta.

Tanto para disfunção erétil como para ejaculação precoce, diferentes abordagens, como educação sexual, redução da ansiedade orientada a objetivos e terapia sexual, podem ser úteis.

Quanto ao transtorno do desejo sexual masculino hipoativo, são raros os estudos, o que não permite análise do nível de evidência.

Problemas de relacionamento nas disfunções sexuais femininas e masculinas

Um aspecto importante para o tratamento das disfunções sexuais femininas e masculinas é lidar com os problemas de relacionamento.

Há evidências de níveis 3, 4 e 5 quanto à correlação de funcionamento sexual e funcionamento do relacionamento.1

A literatura sugere melhores resultados em longo prazo quando problemas de relacionamento são tratados e superados.

Terapia combinada

A terapia combinada, física e psicológica, é um conceito que tem potencial para avançar significativamente. Entretanto, há poucos estudos bem desenhados com níveis de evidência 2, 3 e 4.1

A maioria dos estudos refere-se ao tratamento da disfunção erétil, dada a pesquisa diversificada em opções medicamentosas orais, injeções intracavernosas, dispositivos a vácuo e cirurgias.

Esses estudos sugerem que combinar tratamentos médicos e psicológicos melhora a eficácia do tratamento farmacológico, promove maior satisfação com o tratamento e diminui os índices de interrupção do que o tratamento farmacológico isolado.

No caso das disfunções sexuais femininas, a terapia combinada é uma área a ser desenvolvida, uma vez que farmacologia específica foi desenvolvida apenas recentemente.

Considerações finais

Em geral, os níveis de evidência de tratamentos para disfunções sexuais variam de revisões sistemáticas de estudos de coorte (nível 2) a opiniões de especialistas sem avaliação crítica explícita (nível 5). Isso mostra que há grande lacuna de estudos em ampla escala, randomizados e controlados, utilizando instrumentos validados e acompanhamento de longo prazo.

Apesar dessas limitações, resultados de estudos sobre intervenções psicoterápicas, isoladas ou combinadas, apoiam a importância das abordagens psicossexuais.

Além disso, há maior experiência clínica hoje, e novos métodos de diagnóstico e tratamento continuam em desenvolvimento.

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. Kirana E. Psychosexual treatment methods in sexual medicine. In: Porst H, Reisman Y, editors. ESSM syllabus of sexual medicine 2012. Amsterdam: Medix; 2012. p.381-98.

Autores

Carmita H. N. Abdo