Psicoterapia no TDAH: TCC e psicoeducação

Psicoterapia no transtorno de déficit de atenção/hiperatividade – Psicoeducação

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Sobre psicoeducação

Elemento fundamental no início do tratamento, a psicoeducação inclui o ensino sobre o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) e sobre o modelo cognitivo-comportamental.

Nesse momento da terapia, é fundamental que o paciente e sua família possam entender o que é o TDAH: sintomatologia, etiologia, prevalência, comorbidades e tratamentos. As informações fornecidas devem ser baseadas em evidências científicas e transmitidas em uma linguagem acessível, que favoreça a compreensão.

Além disso, são identificados mitos e crenças equivocadas relacionadas ao TDAH e ao tratamento, que podem auxiliar na compreensão do transtorno.

Atenção à adesão terapêutica e seus efeitos colaterais

Um dos focos essenciais para as abordagens psicoeducativas é a adesão terapêutica, incluindo o manejo dos efeitos colaterais dos psicoestimulantes e outros fármacos utilizados no tratamento do TDAH.

Todo profissional que atenda esses pacientes deve, obrigatoriamente, ter boa noção a respeito do funcionamento e dos efeitos adversos desses medicamentos, independentemente de sua formação profissional. Da mesma maneira como ocorre com relação aos sintomas e às repercussões da doença, é impossível prestar psicoeducação sem conhecimentos básicos da farmacologia dos agentes utilizados para o manejo do transtorno.

A adesão em longo prazo aos medicamentos dos pacientes com TDAH é extremamente baixa. Muitos deles nem sequer iniciam o medicamento depois da avaliação por temores que podem ser facilmente tratados, como o medo da dependência de estimulantes.1

Além disso, utilizam o medicamento nas doses prescritas por um período de, no máximo, 2 meses, passando a tomá-los conforme acreditam que devam no restante do tempo.

Apenas 20% dos indivíduos que foram diagnosticados e iniciaram o medicamento corretamente mantêm seu uso por um período maior que 1 ano.2 A maioria dos indivíduos com TDAH abandona a farmacoterapia em decorrência do surgimento de efeitos colaterais indesejados, que geralmente se atenuam com o uso continuado.

Desse modo, a psicoeducação é fundamental para o andamento correto em longo prazo do tratamento farmacológico, contribuindo de forma significativa para a adesão.

Acesse aqui um Exemplo clínico

Orientação para busca de informação adicional

Além do trabalho de psicoeducação realizado no consultório, é importante orientar pacientes adultos e pais a buscarem informações em palestras, sites confiáveis, leitura de folhetos e livros específicos sobre o tema.

Para crianças e adolescentes, sugerimos a leitura de algumas histórias, como a apresentada na Tabela 1, extraída de um livro sobre TDAH,3 que podem contribuir para o entendimento do transtorno.

TABELA 1 | EXEMPLO DE LEITURA SOBRE O TDAH

TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO/HIPERATIVIDADE − O QUE É? COMO AJUDAR?

Meu nome é M. e vou contar a minha história para você.

Quase nunca me sinto cansado... O mundo é muito grande e tem muita coisa para descobrir, mas tenho que ir para a escola. Lá tenho que fazer coisas que, às vezes, não estou nem um pouco a fim. Prefiro brincar no pátio ou na quadra...

Quase nunca presto atenção ao que minha professora diz, nem às lições. A professora sempre pede para que eu seja mais organizado com meu material.

Parece que ninguém me entende...

Fico triste, irritado e confuso, porque sei que as pessoas ficam cansadas de mim. Outro dia, vi minha mãe chorando. Também ouvi meus pais brigando por minha causa.

Queria que todos dissessem: “Olha, o M. foi o melhor!”.

Ah, como eu gostaria que a minha tarefa fosse realmente a melhor.

Fonte: Rohde e Benczik.3

Existem outras fontes para psicoeducação do TDAH no Brasil, como o livro No mundo da lua4 e sites como o da Associação Brasileira do Déficit de Atenção.

Considerações finais

A psicoeducação do modelo de terapia cognitivo-comportamental (TCC) é fundamental para a adesão do paciente. Ela é feita explicando-se as características básicas desse modelo, que prioriza a identificação e a testagem de pensamentos e comportamentos e busca modificá-los quando necessário.

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. Victor MM, Rovaris DL, Salgado CA, Silva KL, Karam RG, Vitola ES, et al. Severity but not comorbidities predicts response to methylphenidate in adults with attention-deficit/hyperactivity disorder: results from a naturalistic study. J Clin Psychopharmacol. 2014;34(2):212-7.
  2. Fredriksen M, Dahl AA, Martinsen EW, Klungsøyr O, Haavik J, Peleikis DE. Effectiveness of one-year pharmacological treatment of adult attention deficit/hyperactivity disorder (ADHD): an open-label prospective study of time in treatment, dose, side-effects and comorbidity. Eur Neuropsychopharmacol. 2014;24(12):1873-84.
  3. Rohde LA, Benczik EBP. TDAH: O que é? Como ajudar? Porto Alegre: Artes Médicas; 1999.
  4. Mattos P. No mundo da lua: perguntas e respostas sobre Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade em crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Lemos; 2005.

Autores

Katiane Silva
Liseane Carraro Lyszkowski
Luis Augusto Rohde
Eugenio Horacio Grevet