Psicoterapia no TDAH: TCC e sistema de recompensas

Psicoterapia no transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: Terapia cognitivo-comportamental e sistemas de recompensas

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Introdução

Fundamentado na terapia comportamental, o sistema de recompensas visa premiar comportamentos adequados do paciente introduzindo recompensas (reforçadores) para o comportamento esperado.

Nas crianças e nos adolescentes com TDAH, o sistema de motivação interno não funciona adequadamente. Eles necessitam de um estímulo maior para conseguir realizar atividades repetitivas e de pouco interesse.

No início, é necessário que o estímulo seja externo para eles conseguirem realizar as atividades por motivação própria. O objetivo é desfazer comportamentos condicionados, como: não fazer tarefas → brigas → castigo → baixa autoestima.

Frequentemente, os pais se questionam se o uso de reforçadores não é uma forma de “comprar” seus filhos e temem que eles respondam apenas mediante gratificações. Nesse sentido, cabe lembrá-los de que, na atualidade, constantemente nos deparamos com sistemas de recompensas (p. ex., nas milhagens de empresas aéreas).

Como funciona na terapia?

No início do tratamento, o paciente elabora uma lista de problemas e uma lista de recompensas a serem utilizadas em casa.

Na terapia, são definidos os critérios a serem avaliados (p. ex., pontualidade, realização da tarefa de casa e participação), atribuindo-lhes valores diferenciados. Por exemplo, pontualidade vale 2 pontos; realização da tarefa, 5 pontos; e participação, 3 pontos (somando um total de 10 pontos).

A seguir, é elaborada uma lista de recompensas (p. ex., canetas, adesivos, caixa de lápis de cor, tempo para jogar, etc.).

Quando o paciente alcança os critérios citados anteriormente, ele pode trocar por algum item da lista de recompensas. Os reforçadores listados devem ter pontuações diversas (alta, média, baixa). Por exemplo, canetas valem 5 pontos; adesivos, 10 pontos; caixa de lápis de cor, 30 pontos.

O paciente atribui uma nota referente a seu desempenho na sessão. Essa nota é comparada com o escore atribuído pelo terapeuta. Os pontos atingidos são definidos, e o paciente escolhe se quer trocar por algum item da lista de recompensas.

Crianças mais impulsivas podem ser treinadas para não trocar todos os pontos ganhos imediatamente ao recebimento dos pontos.

A Figura 1 mostra o exemplo de registro do sistema de recompensas para o caso de M.

 

FIGURA 1 | Exemplo de registro do sistema de recompensas para o caso de M.

Acesse aqui um Exemplo clínico

Com as famílias, o treinamento é iniciado indicando-se a escolha de apenas um problema, com grau de dificuldade médio, da lista de problemas.

O problema escolhido deve ser monitorado ao longo da semana, sendo esperada melhora em torno de 50% (dos 7 dias da semana, 3 ou 4 dias devem ter resultados positivos).

Com a melhora do comportamento, a criança recebe uma pontuação que, da mesma forma como acontece na sessão de terapia, pode ser trocada por itens da lista de recompensas.

Com crianças menores, os pontos podem ser substituídos por estrelinhas, e a recompensa pode ser combinada no início da semana. Por exemplo, a criança combina com seus pais que, se conseguir quatro estrelinhas, vai tomar sorvete com os pais.

Na folha de automonitoramento, usada diariamente para registrar os resultados, o comportamento a ser melhorado e a recompensa devem estar em forma de figura, para que a criança os identifique.

Nas semanas seguintes, segue a observação do problema escolhido, e, a partir da melhora dele, inclui-se mais um problema até que todos os problemas da lista tenham sido desafiados.

A atualização da lista de recompensas é fundamental para garantir a motivação nessa técnica.

Iniciado o processo de mudança, a sistematização desse modelo depende muito da capacidade dos pais de tolerar períodos de piora, sem desistir, para garantir a padronização do novo comportamento.

Referência

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

Autores

Katiane Silva
Liseane Carraro Lyszkowski
Luis Augusto Rohde
Eugenio Horacio Grevet