Psicoterapia no TDAH

Psicoterapia no transtorno de déficit de atenção/hiperatividade

Introdução

O tratamento do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) requer uma abordagem ampla, que envolva os aspectos biológicos, psicológicos e sociais do transtorno.

O passo inicial é oferecer informações e esclarecimentos (psicoeducação) aos pacientes e familiares que contemplem a etiologia multifatorial do transtorno, a apresentação dos sintomas, os prejuízos associados e os tratamentos disponíveis.

Por apresentar forte componente neurobiológico, o TDAH é tratado principalmente com psicoestimulantes, e há ampla evidência científica confirmando a eficácia desses agentes.1

Entretanto, diretrizes para o tratamento concordam com a indicação de abordagens combinadas, que envolvam psicoeducação, aconselhamento para pacientes e familiares, psicoterapia individual ou em grupo. Entre as psicoterapias, a mais estudada e utilizada é a terapia cognitivo-comportamental (TCC).

Tratamento psicoterápico

Intervenções baseadas em estratégias cognitivas e comportamentais auxiliam pacientes e familiares na compreensão do TDAH e no manejo das dificuldades advindas do transtorno.

Apesar da reconhecida base biológica do TDAH, sabe-se também que aspectos psicológicos, cognitivos e sociais interferem no desenvolvimento do transtorno e demandam abordagens psicossociais.

De forma geral, as abordagens psicoterápicas visam ao reconhecimento e à aceitação do transtorno, bem como ao desenvolvimento de estratégias cognitivas e comportamentais que auxiliem no estabelecimento da atenção e no manejo da impulsividade, a fim de minimizar o impacto do TDAH.1

Como as capacidades atencionais são funções autônomas e fora do controle consciente por períodos muito longos, a eficácia das abordagens psicoterápicas nos sintomas primários do TDAH é limitada quando comparada ao grau de resposta ao tratamento farmacológico. Entretanto, o resultado é mais animador no tratamento de comorbidades com transtornos de ansiedade e outros transtornos disruptivos.2

Dificuldades comumente associadas ao TDAH, como baixa autoestima e habilidades sociais limitadas, devem ser foco de atenção no tratamento psicológico.

Alguns indivíduos não toleram o tratamento com psicofármacos, o que possibilita a indicação de intervenções cognitivo-comportamentais, para o manejo tanto dos efeitos colaterais quanto dos sintomas nucleares do TDAH. Nesse sentido, têm sido recomendadas intervenções psicoterápicas em conjunto com o tratamento farmacológico, tendo em vista a complementaridade entre as duas abordagens.3,4

Conheça mais sobre cada uma dessas terapias por meio dos links a seguir:

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. Faraone SV, Asherson P, Banaschewski T, Biederman J, Buitelaar JK, Ramos-Quiroga JA, et al. Attention-deficit/hyperactivity disorder. Nat Rev Dis Primers. 2015;1:15020.
  2. The MTA Cooperative Group. A 14-month randomized clinical trial of treatment strategies for attention-deficit/hyperativity disorder. Arch Gen Psychiatry. 1999;56(12):1073-86.
  3. American Academy of Pediatrics. ADHD: clinical practice guideline for the diagnosis, evaluation, and treatment of attention-deficit/hyperactivity disorder in children and adolescents. Pediatrics. 2011;128(5):1007-22.
  4. Kooij SJJ, Bejerot S, Blackwell A, Caci H, Casas-Brugué M, Carpentier PJ, et al. European consensus statement on diagnosis and treatment of adult ADHD: the European network adult ADHD. BMC Psychiatry. 2010;10:67.

Autores

Katiane Silva
Liseane Carraro Lyszkowski
Luis Augusto Rohde
Eugenio Horacio Grevet