Psicoterapia nos transtornos da personalidade: Modelos etiológicos

Psicoterapia nos transtornos da personalidade: Modelos etiológicos

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Introdução

Os transtornos da personalidade (TPs) constituem fenômenos mentais, comportamentais e sociais complexos, e nenhuma teoria, por si só, pode abrangê-los como um todo.

Gabbard,1 do ponto de vista psicodinâmico, afirma que, além de conhecimentos psicológicos, o profissional da saúde que trata TPs precisa também estar “biológica e geneticamente bem informado”.

Respeitando-se as especificidades de cada modelo, é heuristicamente útil considerar propostas de modelos integradores.2

Aspectos “temperamentais” da personalidade, biologicamente herdados, estão presentes desde o nascimento, apesar de sua atualização necessitar da interação com o meio ambiente.

Diferenças genéticas contribuem com 50% da variabilidade da maioria dos traços de temperamento distribuídos normalmente.3 Dos outros 50%, 25 a 30% seriam explicados por efeitos não partilhados do meio ambiente (experiências únicas para o indivíduo), e 15 a 20%, por erros de mensuração.4

Variáveis dependentes de experiências na interação com o meio ambiente familiar, ou da ocorrência de eventos singulares no desenvolvimento (situações traumáticas), determinam a dimensão caracterológica dessa “equação”.

Modelo de diátese-estresse

Paris2 propõe um modelo de diátese-estresse para apreender o fenômeno. Genes não são causas diretas de doenças mentais, apenas modelam a variabilidade individual de traços e temperamentos: algumas das variantes temperamentais podem vir a se constituir em vulnerabilidade para psicopatologia, mas só se tornam desadaptativas sob o impacto de condições ambientais adversas. A interação é bidirecional, pois a variabilidade genética influencia a forma como as pessoas respondem a seu ambiente, e as variáveis ambientais determinam como, e se, os genes se expressam.2

Fatores genéticos que influenciam traços de personalidade têm sido apoiados por estudos familiares em outras psicopatologias.

Familiares de primeiro grau de pacientes do grupo A (TP esquizoide, TP esquizotípica e TP paranoide) evidenciam anormalidades dentro do espectro da esquizofrenia; familiares de pacientes do grupo B (TP antissocial, TP borderline, TP histriônica e TP narcisista) tendem a ter mais transtornos do controle de impulsos e transtornos do humor; e familiares de pacientes do grupo C (TP dependente, TP evitativa e TP obsessivo-compulsiva) geralmente têm história de transtornos de ansiedade.

Adversidades na infância

Mesmo sem estabelecer relações diretas de causalidade, há um amplo conjunto de evidências que apoia a percepção de que adversidades na infância sejam fatores de risco importantes para os TPs.5,6

Histórias de abuso sexual, físico e emocional – assim como de negligência emocional – na infância têm sido repetidamente documentadas na vida de pacientes com transtorno da personalidade borderline (TPB).6,7

Raramente eventos traumáticos únicos causam sequelas patológicas de longo prazo. Ao contrário, circunstâncias adversas constantes é que causam efeitos cumulativos associados à sintomatologia futura,2 o que implica considerar seu impacto em um contexto desenvolvimental.

Schestatsky6 encontrou diferenças significativas entre a quantidade em excesso de eventos traumáticos a que estiveram expostos pacientes com TPB, na infância e na adolescência, quando comparados a controles saudáveis, em todas as faixas etárias examinadas (0 a 6 anos, 7 a 12 anos, 13 a 16 anos e dos 17 anos em diante). Além disso, as adversidades ocorreram em contextos familiares percebidos como cronicamente disfuncionais.6

Pode-se concluir que as adversidades na infância, e mesmo posteriores, são um dos fatores cruciais que afetam o desenvolvimento dos TPs, uma vez que amplificam, de modo considerável, vulnerabilidades temperamentais previamente presentes.2

Adversidades na infância (abusos sexuais, físicos e emocionais, negligência e abandono) são importantes fatores de risco para o desenvolvimento dos TPs na idade adulta e contribuem negativamente para seu prognóstico.

Algumas considerações importantes

Tanto fatores genético-temperamentais como psicossociais são condições necessárias para o desenvolvimento dos TPS, mas nenhum deles é suficiente.

Efeitos de fatores psicológicos, sociais, intrapsíquicos e relacionais são maiores em pessoas com temperamentos predispostos à psicopatologia; pessoas que não apresentam esse tipo de temperamento provavelmente manifestam maior resiliência aos impactos. O transtorno específico que emergir dessas interações dependerá de perfis inatos de temperamento peculiares a cada indivíduo.

O modelo de estresse-diátese no desenvolvimento dos TPs tem implicações importantes para o tratamento, sugerindo que nem sempre uma abordagem puramente biológico-farmacológica ou puramente psicoterapêutica será suficiente no manejo continuado desses casos.

Modelos psicodinâmicos

Os modelos psicodinâmicos mais relevantes à compreensão dos TPs incluem os das teorias das relações de objeto, da psicologia do self e da teoria do apego. Aqui, serão abordadas a teoria das relações de objeto e algumas de suas variantes.

Essa teoria é a mais tradicional na abordagem dos TPs e oferece modelos mais bem-acabados de tratamento, incluindo o desenvolvimento de manuais terapêuticos, como o da terapia focada na transferência (TFT)8 e o da terapia baseada na mentalização.9

Os modelos psicodinâmicos supõem existir uma estrutura afetivo-cognitiva básica subjacente a todos os TPs (identidade difusa e mecanismos de defesa primitivos, conforme a TFT, e déficit na função reflexiva da mente, conforme a terapia baseada na mentalização), variando apenas em gravidade e disfunções adaptativas consequentes, que podem ser abordadas com intervenções psicossociais.

As relações de objeto

As teorias de relações de objeto10 consideram que os impulsos básicos (“instintivos”), descritos por Freud, são sempre experimentados em relação a outra pessoa (“objeto”).

Esses blocos básicos na construção das estruturas psíquicas são constituídos por díades de representações de si mesmo (self), ligadas por um estado afetivo (ou representação do impulso) a uma representação do outro (o objeto do impulso). As internalizações dessas representações são chamadas de díades de relações objetais.11

O self e o objeto dessas díades raramente são reproduções exatas da realidade externa: são representações de si mesmo e do outro conforme vivenciadas em diversos momentos específicos do desenvolvimento e em estados afetivos contrastantes.

Exemplo de uma dessas díades é a representação do self percebido como um bebê gratificado e tranquilo, vinculando-se, por meio de um afeto prazeroso, à representação de uma mãe nutridora e bondosa.

Alternativamente, outra díade internalizada pode ser, em um momento diferente, a da representação de si mesmo (self) vivenciada como um bebê faminto ou com cólicas, relacionando-se com raiva e desespero à representação da mãe como má e negligente.

Quanto mais vulnerável for o temperamento da criança e mais perturbador for seu ambiente familiar, mais prováveis serão as distorções das percepções de si mesmo e dos outros, que poderão conduzir, no futuro, a comportamentos interpessoais distorcidos.

Supõe-se, todavia, que, no desenvolvimento normal dessas díades, haja a tendência a se tornarem mais integradas, permitindo combinações mais realísticas de afetos e percepções positivas e negativas, além de maior tolerância com a ambivalência e com as diferenças em si mesmo e nos outros.11

Kernberg12 sugere que o grau de diferenciação e integração das díades, associadas às suas valências afetivas, constitui a base da organização da personalidade. Dessa forma, o substrato dos sintomas e comportamentos dos TPs se encontraria na presença de uma organização estável de personalidade subjacente, dividida em três níveis de psicopatologia (organização neurótica, organização borderline e organização psicótica da personalidade), além do nível da normalidade.

No nível neurótico da personalidade, com a preservação do teste de realidade, há integração do senso de identidade e predominância de mecanismos defensivos mais maduros, baseados na repressão.

No nível psicótico, perturbações na identidade e predomínio de mecanismos primitivos se associam com grave comprometimento do teste de realidade (Tabela 1).

TABELA 1 | NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO DA PERSONALIDADE


ORGANIZAÇÃO BORDERLINE*

ORGANIZAÇÃO NEURÓTICA

ORGANIZAÇÃO NORMAL

Identidade

Percepção incoerente de si mesmo (self) e dos outros

Percepção coerente de si mesmo e dos outros; investimento em trabalho e lazer presentes

Sentimento integrado de si mesmo e dos outros; investimento em trabalho e lazer presentes

Defesas

Defesas primitivas

Defesas mais maduras, mas usadas com rigidez

Defesas mais maduras, usadas com flexibilidade

Teste de realidade

Empatia variável e oscilante com os critérios sociais da realidade; falta de tato e sutileza

Percepção acurada do self vs. não self; interno vs. externo; empatia estável com os critérios sociais da realidade

Percepção acurada do self vs. não self, interno vs. externo; empatia estável com os critérios sociais da realidade

Agressão

Agressão contra si e contra os outros; ódio exacerbado nos casos mais graves

Agressão inibida; crises de raiva seguidas de culpa

Modulação da raiva; autoafirmação adequada

Valores internalizados

Sistema de valores contraditório; incapacidade de viver de acordo com os próprios valores; ausência significativa de certos valores

Excessivos sentimentos de culpa; rigidez ao lidar consigo mesmo

Estáveis, independentes, individualizados

Relações de objeto

Relações interpessoais perturbadas; relações sexuais ausentes ou caóticas; modelos mentais confusos sobre relacionamentos; interferência grave nas relações amorosas

Algum grau de inibição sexual ou dificuldades em integrar sexualidade com amor; relacionamentos profundos com os outros; conflitos específicos e focais com algumas pessoas significativas

Relações profundas e duradouras com os outros; intimidade sexual combinada com ternura; modelos operacionais de relacionamento coerentes

Transtornos da personalidade (TPs) (DSM-IV-TR)

Antissocial, borderline, esquizoide, esquizotípica, narcisista e paranoide

Evitativa, dependente e obsessivo-compulsiva

Nenhum

PDM

Ciclotímica, hipocondríaca, hipomaníaca, narcisista, sádica, sadomasoquista

Depressivo-masoquista e histérica


* A organização borderline da personalidade (OBP), estrutura comum ao amplo espectro dos TPs (como esquizoide, esquizotípica, histriônica, narcisista, antissocial, dependente, etc.), caracteriza-se por uma síndrome de difusão da identidade, predomínio de mecanismos de defesa primitivos e manutenção relativa do teste de realidade. O principal conflito psíquico dos pacientes com OBP provém da dificuldade de manejarem sua agressão intensa, que pode ser de origem inata e/ou exacerbada pelo predomínio de experiências negativas no meio ambiente precoce. Devido à abundância de impulsos agressivos modulados pobremente, há incapacidade de sintetizar introjeções negativas e positivas em imagens coerentes do próprio self e dos objetos. Para manter esses estados mentais contraditórios separados, são exigidos grande atividade e gasto de energia por parte do ego, o que contribui para seu enfraquecimento e vulnerabilidade no teste de realidade, assim como para sua tendência a recair em formas mágicas de pensamento. Uma das consequências desses processos seria o estabelecimento da síndrome de difusão de identidade.13
Observação: não confundir a organização borderline da personalidade (OBP) com o transtorno da personalidade borderline (TPB), que é apenas um dos tantos TPs que compartilham desse mesmo tipo de estrutura de personalidade básica.

DSM, Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais; PDM, Psychodynamic diagnostic manual.

Fonte: Adaptada de Clarkin e Levy.8

Difusão da identidade

A difusão da identidade é uma estrutura psicológica construída pela fragmentação das representações de si mesmo e dos outros, internalizadas ao longo do desenvolvimento.

Ela confere à pessoa falta de sentido de coerência e consistência próprias, além de dificuldades para avaliar seus valores, motivações, comportamentos e interações pessoais, fazendo o indivíduo não perceber as motivações e os estados mentais das demais pessoas.

A síndrome contribui para grande parte das relações caóticas que os pacientes apresentam, suas dificuldades interpessoais crônicas e a falta de empatia com as necessidades dos outros.9

A difusão do sentido de identidade decorre do uso intenso de mecanismos primitivos de defesa (cisão, negação, idealização, identificação projetiva e controle onipotente),10 especialmente os de cisão ou dissociação (splitting), que tentam preservar o aparelho mental da angústia, separando, umas das outras, as experiências contraditórias de si mesmo e das pessoas significativas.

Enquanto esses estados mentais antagônicos estiverem dissociados um do outro, o ego poderia ser poupado dos conflitos e da sensação catastrófica de que “bons objetos” podem ser “destruídos” ou “controlados” pelo contato com os “maus objetos”.

A manifestação clínica mais clara da cisão dos objetos internos é a divisão persistente dos objetos externos em “totalmente bons” e “totalmente maus”. Com isso, o paciente experimenta alternâncias rápidas e imprevistas de todos os seus sentimentos e conceitos em relação a determinada pessoa (de “boa” para “má”, e vice-versa), de um momento para outro.8

Idealização e desvalorização primitivas

A idealização e desvalorização primitivas acentuam a tendência do splitting, aumentando, de forma patológica, a qualidade de “bondade” ou “maldade” dos objetos externos.

Criam-se imagens pouco realistas de objetos totalmente bons e poderosos, que, rapidamente, revertem-se para imagens totalmente desprezadas e desvalorizadas quando qualquer expectativa é frustrada.

Identificação projetiva

A identificação projetiva10 é uma forma primitiva de projeção: o paciente vivencia expulsar, para fora de sua mente, aspectos parciais dos próprios impulsos, de representações de si mesmo e de seus objetos internos, mas continua vivenciando estar ligado a eles.

Sente-se, então, ameaçado pela pessoa sobre a qual atribuiu suas projeções e tem a necessidade de controlar suas projeções “dentro” da outra pessoa, para que não o ataquem de volta.

Componente interpessoal

Essas complexas operações inconscientes têm, além da origem intrapsíquica, um importante componente interpessoal, por meio do qual o paciente induz, no outro, comportamentos compatíveis com a parte dissociada de si mesmo, confirmando que continua controlando externamente suas “partes expulsas”.

Em um primeiro momento, os afetos parecem menos ameaçadores enquanto percebidos “fora” do paciente e mantidos sob controle “dentro” do outro.

Porém, em momentos de maior tensão, sensações intensas de estar reintrojetando as projeções podem levá-lo a ansiedades psicóticas de perseguição e aniquilação internas.

Contratransferência

É a onipresença das identificações projetivas nos pacientes com organização borderline da personalidade (OBP) que torna essencial ao terapeuta manter-se atento à sua contratransferência: por meio dela, o terapeuta poderá perceber, em si mesmo, aspectos dissociados e negados do mundo interno do paciente e, assim, compreendê-lo melhor.12

Negação

A negação permite ao paciente negar o impacto de experimentar, ao mesmo tempo, duas áreas da consciência que lhe parecem emocionalmente independentes entre si e que expressam os dois lados de sua cisão interna.8

Ele se dá conta da existência simultânea de emoções e percepções antagônicas e oscilantes, sem sentir surpresa ou desconforto. Mostra-se indiferente às contradições, embora cognitivamente ciente delas.

A negação afetiva e alternada de um desses estados em relação ao outro permite ao paciente tolerar sua coexistência sem manifestar maior ansiedade.

Teste de realidade

O teste de realidade, relativamente conservado na OBP, é a capacidade de distinguir o que é o eu do não eu, diferenciar a origem dos estímulos e percepções internas das externas e de avaliar, realisticamente, os próprios afetos, comportamentos e conteúdos do pensamento em relação às normas sociais comuns.

No âmbito clínico, o teste preservado se expressa pela ausência de delírios e alucinações, de pensamentos ou condutas grosseiramente bizarros e pela capacidade de construir explicações aceitáveis, em um contexto social adequado, sobre o que as outras pessoas estão achando de estranho em seus comportamentos, pensamentos e emoções.8

As dimensões sintomatológicas

A desregulação afetiva, comum nos pacientes com TPB, inclui sintomas de labilidade do humor, hipersensibilidade a rejeições, raiva intensa e inadequada, “colapsos depressivos” e crises de agitação.

O descontrole impulsivo-comportamental se expressa por meio de agressão impulsiva, automutilações ou comportamentos autodestrutivos (sexo promíscuo, uso de substâncias, gastos exagerados).

As distorções cognitivo-perceptuais abrangem sintomas como desconfiança, ideias de referência, ideação paranoide, ilusões, desrealização, despersonalização ou sintomas semelhantes a alucinações.

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. Gabbard GO. Psychoanalysis and psychoanalytic psychotherapy. In: Livesley WJ, editor. Handbook of personality disorders. New York: Guilford; 2001. p. 344-58.
  2. Paris J. A current integrative perspective on personality disorders. In: Oldham JM, Skodol AE, Bender DS, editors. Textbook of personality disorders. Washington: American Psychiatric; 2005. p.119-28.
  3. Plomin R, Asbury K, Dunn J. Why are children in the same family so different? Nonshared environment a decade later. Can J Psychiatry. 2001;46(3):225-33.
  4. American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders. 3. ed. Arlington: American Psychiatric Association; 1980.
  5. Paris J. Childhood trauma as an etiological factor in the personality disorders. J Pers Disord. 1997;11(1):34-49.
  6. Schestatsky SS. Fatores ambientais e vulnerabilidade ao Transtorno de Personalidade Borderline: estudo caso-controle de traumas psicológicos precoces e vínculos parentais percebidos, em uma amostra brasileira de pacientes mulheres [Tese]. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2005.
  7. Zanarini MC. Role of sexual abuse in the etiology of borderline personality disorder. Washington: American Psychiatric; 1997.
  8. Clarkin JF, Levy KN. Psychotherapy for patients with borderline personality disorder: focusing on the mechanisms of change. J Clin Psychol. 2006;62(4):405-10.
  9. Bateman A, Fonagy P. Mentalization-based treatment for borderline personality disorder: a practical guide. Oxford: Oxford University; 2006.
  10. Klein M. Notas sobre alguns mecanismos esquizóides. In: Klein M, Isaacs S, Rivière J, editors. Desarrolos en psicoanalisis. 2. ed. Buenos Aires: Hormé; 1967. p.252-76.
  11. Yeomans FE, Clarkin JF, Levy KN. Psychodynamic therapies. In: Oldham JM, Skodol AE, Bender DS, editors. Textbook of personality disorders. Washington: American Psychiatric; 2005. p. 275-87.
  12. Kernberg OF. Severe personality disorders: psych therapeutic strategies. New Haven: Yale University; 1984.
  13. Kernberg OF. Borderline conditions and pathological narcissism. New York: Jason Aronson; 1975.

Autores

Sidnei S. Schestatsky