Psicoterapia nos transtornos da personalidade: Avaliação do paciente para psicoterapia psicodinâmica
Ver também
- Psicoterapia nos transtornos da personalidade: Aspectos gerais
- Diagnóstico e classificação dos TPs
- Modelos etiológicos dos TPs
- Abordagem psicoterapêutica (especialmente focada da OBP)
- Táticas psicoterapêuticas
- Contratransferência na abordagem psicodinâmica
- Transgressão das fronteiras profissionais
- Terapia do esquema
- Terapia comportamental dialética
- Evidências de eficácia dos tratamentos psicoterápicos
- Evidências de eficácia das abordagens cognitivo-comportamentais
Introdução
Pacientes que se encaixam no grupo A (transtornos da personalidade [TPs] esquizoide, esquizotípica e paranoide) dificilmente buscam tratamento de forma espontânea. Quando pressionados a se tratar, suas taxas de atrito e desistência são altas em qualquer forma de psicoterapia.
Isso também ocorre, no grupo B, com o TP antissocial. No grupo B, o TP mais estudado é o transtorno da personalidade borderline (TPB), para o qual foram desenvolvidas e testadas diferentes formas de psicoterapia, inclusive a psicodinâmica.
Entretanto, a efetividade da abordagem psicodinâmica nesse transtorno (assim como nos TPs histriônica e narcisista) depende, principalmente, de seu grau de gravidade: quanto mais intensos os traços e sintomas básicos do transtorno, e maiores os comportamentos antissociais associados, menos acessíveis os pacientes serão à abordagem psicodinâmica.
Contudo, os pacientes do grupo C (TPs dependente, evitativa e obsessivo-compulsiva) costumam se beneficiar das terapias psicodinâmicas.
Características da avaliação inicial
Duas características importantes devem fazer parte da avaliação inicial do TPB.
Em primeiro lugar, devido à sua alta comorbidade com transtornos do humor, transtornos por uso de substâncias, transtornos de ansiedade ou transtornos alimentares, essas condições devem ser identificadas e tratadas (com frequência, por meio de farmacoterapia), sequencial ou conjuntamente à psicoterapia do TP.
Depois, em virtude dos sintomas nucleares dos pacientes com TPB (instabilidade afetiva, descontrole de impulsos e hipersensibilidade interpessoal), deve-se considerar, na avaliação inicial, se eles apresentam ou não capacidade de entender e se estão dispostos a manter a estrutura do tratamento, por meio de um “contrato terapêutico” acordado desde o início.
Caso o paciente não se interesse em cumprir certas regras básicas de relacionamento terapêutico (assiduidade, pontualidade, pagamento de honorários, respeito aos limites da hora terapêutica, agressividade acentuada nas sessões, não invasão da privacidade do terapeuta), não é possível a indicação de psicoterapia psicodinâmica.
Além de comportamentos antissociais disfuncionais, estariam igualmente contraindicados pacientes em uso corrente e abusivo de álcool e outras substâncias (e que não querem interromper), com quadros de anorexia e/ou bulimia graves (que resistem em reconhecer e tratar) ou que se recusam a assumir qualquer responsabilidade por seus comportamentos autodestrutivos.
Referência
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
Autores
Sidnei S. Schestatsky