Psicoterapia nos transtornos da personalidade: Evidências de eficácia das abordagens cognitivo-comportamentais
Ver também
- Psicoterapia nos transtornos da personalidade: Aspectos gerais
- Diagnóstico e classificação dos TPs
- Modelos etiológicos dos TPs
- Abordagem psicoterapêutica (especialmente focada da OBP)
- Avaliação do paciente para psicoterapia psicodinâmica
- Táticas psicoterapêuticas
- Contratransferência na abordagem psicodinâmica
- Transgressão das fronteiras profissionais
- Terapia do esquema
- Terapia comportamental dialética
- Evidências de eficácia dos tratamentos psicoterápicos
Terapia do esquema
A terapia do esquema (TE) é relativamente recente, portanto ainda carece de evidências empíricas, sobretudo quanto aos modelos de tratamento aplicados em diferentes públicos e contextos clínicos.
Entre as intervenções da TE, uma das mais investigadas e comprovadas empiricamente é voltada ao transtorno da personalidade borderline (TPB).
Em estudo conduzido por Maciel e colaboradores,1 a partir de revisão sistemática da literatura, evidenciou-se redução dos sintomas dos pacientes avaliados, tanto nas intervenções de grupo quanto nas individuais, demonstrando sempre superioridade em relação aos grupos-controle investigados.
Outro estudo similar foi realizado por Sempértegui,2 em que questionou a força dos resultados encontrados em relação à eficácia do modelo de Young e evidenciou a presença de resultados mistos. Entretanto, apesar do pequeno número de estudos encontrados, a autora sugere que a TE é um tratamento promissor, especialmente para o TPB.
De fato, apesar dos poucos e limitados estudos, a TE tem evidências moderadas de eficácia na divisão 12 da American Psychological Association.3
Ainda no que se refere à investigação da eficácia da TE para transtornos da personalidade (TPs), um estudo evidenciou resultados positivos. Avaliou-se o resultado da prática da TE nas personalidades paranoide, histriônica e narcisista. Os resultados apontaram uma proporção significativamente maior de pacientes que apresentaram melhoras em relação ao grupo-controle. Além disso, pacientes tratados com TE manifestaram menos transtorno depressivo e melhor funcionamento geral e social.4 Entretanto, apesar de ser um estudo relativamente bem conduzido, ainda serão necessários novos estudos que ampliem as evidências da TE em relação a esses TPs.
Diante do exposto, as evidências já encontradas trazem indícios de uma prática que é, de fato, promissora, mas com poucas e metodologicamente limitadas investigações.
Em contrapartida, o modelo teórico adquire cada vez mais ramificações, havendo ensaios clínicos com diferentes públicos e contextos e uma literatura que se demonstra diversificada.
Contudo, para se justificar na prática, é preciso investimento para fortalecer as evidências da abordagem.
Terapia comportamental dialética
Desde a década de 1990, a DBT se destaca no campo das terapias baseadas em evidências para TPB.3
Segundo Dornelles e Alano,5 as evidências para o tratamento sempre foram um elemento importante, pois muitas equipes de DBT utilizam essas informações para auxiliar os pacientes a se comprometer em seus programas.
Dornelles e Alano5 encontraram evidências robustas ao longo de 18 ensaios clínicos randomizados realizados em diferentes grupos de pesquisas em localizações distintas no mundo.
Nesses estudos, houve redução em comportamentos suicidas, automutilações não letais, ideação suicida, sintomas dissociativos e sintomas de estresse pós-traumático.6,7
Também é importante destacar que a DBT tem demonstrado evidências para outros transtornos mentais, como transtorno por uso de substâncias, transtornos alimentares, transtorno depressivo maior e transtorno bipolar em adolescentes.3,8
Referências
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
- Maciel LZ, Tractenberg SG, Habigzang LF, Wainer R. Esquemas iniciais desadaptativos no transtorno por uso de álcool. Rev Bras Ter Cogn. 2013;9(2):101-7.
- Sempértegui GA, Karreman A, Arntz A, Bekker MHJ. Schema therapy for borderline personality disorder: a comprehensive review of its empirical foundations, effectiveness and implementation possibilities. Clin Psychol Rev. 2013;33(3):426-47.
- American Psychological Association. Boderline personality disorder: psychological treatments Internet]. Society of Clinical Psychology. 2017. [capturado em: 23 jan 2018]. Disponível em: [http://www.div12.org/psychological-treatments/disorders/borderline-personality-disorder/.
- Bamelis LL, Evers SM, Spinhoven P, Arntz A. Results of a multicenter randomized controlled trial of the clinical effectiveness of schema therapy for personality disorders. Am J Psychiatry. 2014;171(3):305-22.
- Dornelles VG, Alano DS. Terapia comportamental dialética. In: Neufeld CB, Falcone EMO, Rangé B, organizadores. PROCOGNITIVA Programa de Atualização em Terapia Cognitivo-Comportamental: Ciclo 3. Porto Alegre: Artmed; 2016. p.9-51. Sistema de Educação Continuada a Distância. v.1.
- Bendics JD, Atkins DC, Comtois KA, Linehan MM. Treatment differences in the therapeutic relationship and introject during a 2-year randomized controlled trial of dialectical behavior therapy versus nonbehavioral psychotherapy experts for borderline personality disorder. J Consult Clin Psychol. 2012;80(1):66-77.
- Lieb K, Zanirini MC, Schmahl C, Lineham MM, Bohus, M. Borderline personality disorder. Lancet. 2004;364(9432):453-61.
- Harned MS, Chapman AL, Dexter-Mazza ET, Murray A, Comtois KA, Linehan MM. Treating co-occurring Axis I disorders in recurrently suicidal women with borderline personality disorder: a 2-year randomized trial of dialectical behavior therapy versus community treatment by experts. J Consult Clin Psychol. 2008;76(6):1068-75.
Autores
Diego dos Santos Alano
Andressa Henke Bellé
Nathália Janovik da Silva
Felix Kessler