Psicoterapia nas fobias específicas: Terapia comportamental de exposição – O início da terapia

Psicoterapia nas fobias específicas: Terapia comportamental de exposição - O início da terapia

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Elaboração e hierarquização da lista dos comportamentos evitativos

Uma vez que o paciente tenha aceitado fazer a terapia e as exposições, uma das primeiras tarefas a ser proposta é a elaboração de uma lista, o mais completa possível, de todos os locais, animais e situações que o paciente evita ou que consegue enfrentar somente acompanhado por outras pessoas.

Uma vez elaborada a lista, o paciente deve atribuir um grau (de 0 a 10 ou de 0 a 100 pela Subjective Units of Distress Scale [SUDS]) para a aflição que imagina que sentiria caso se dispusesse a enfrentar cada um dos tópicos listados. Ou, então, pode simplesmente classificá-la como: muito intensa ou extrema (grau 4), intensa (grau 3), moderada (grau 2), leve (grau 1) ou nenhuma (grau 0).

A seguir, é apresentada uma lista elaborada pela paciente apresentada no Exemplo clínico.

Hierarquização de ansiedade para fobia de aranhas

  • Leve para ver imagens de aranhas no computador.
  • Leve a moderada para tocar em imagens ou fotografias de aranhas.
  • Moderada para manipular aranhas de brinquedo.
  • Moderada para cenas de filmes assustadores (p. ex., Aracnofobia).
  • Grave ao ver aranhas no petshop.
  • Muito grave ao ver aranhas no acampamento.
  • Muito grave para tocar em uma aranha não venenosa (caranguejeira).

Início das tarefas de exposição

A partir da lista hierarquizada das evitações, o terapeuta programa com o paciente uma sequência de exposições que este considere perfeitamente viável.

Deve-se começar por situações em que o paciente avalie ter 80% ou mais de chances de levar adiante.

Se o paciente considerar difícil iniciar por exposições in vivo, o terapeuta pode propor exposições na imaginação ou virtuais: observar ou tocar em fotografias do objeto fóbico, ver imagens e fotografias, assistir a filmes, tocar em brinquedos que simulem o objeto e, assim, aumentar aos poucos o grau de aproximação e contato.

Como regra, a exposição deve ser gradual, frequente, repetida e prolongada o suficiente para que a ansiedade evocada pelo contato com o objeto ou a situação diminua significativamente (habituação, extinção).

Devem ser especificados com antecedência o tempo de contato, o número de vezes de prática do exercício e a exposição realizada.

Nos primeiros exercícios, o paciente pode ser assistido pelo próprio terapeuta ou por um familiar.

Ele deve fazer o automonitoramento (registro) dos níveis de ansiedade (grau da ansiedade de 0 a 10) antes, no início, durante e algum tempo depois da realização dos exercícios. O registro auxilia o paciente a identificar o fenômeno da habituação.

Precedendo a exposição gradual in vivo individual, o terapeuta pode realizar exercícios de demonstração no próprio consultório (modelação), como tocar em fotografias, objetos ou brinquedos que representem o objeto fóbico (p. ex., um rato, uma barata, uma aranha de brinquedo, uma fotografia de pássaro, um caramujo marinho).

Referência

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

Autores

Aristides Volpato Cordioli
Cristiano Tschiedel Belem da Silva
Ilana Andretta