Psicoterapia nas fobias específicas: Duração do tratamento, alta e prevenção de recaída
Ver também
- Psicoterapia nas fobias específicas – Considerações gerais
- Características e categorias
- Etiologia
- Terapia comportamental de exposição
- Terapia cognitiva
- Evidências de eficácia das terapias comportamentais e cognitivas
- Terapia de modificação do viés atencional
Introdução
Os tratamentos são breves, de 1 a 3 meses, em geral, dependendo da adesão do paciente, da qualidade da relação terapêutica e da habilidade do terapeuta em propor situações que sejam enfrentadas com êxito, particularmente no início do tratamento.
Em situações fóbicas graves e incapacitantes que evocam ansiedade intensa mesmo à simples imaginação de tarefas mínimas, a exposição, nas fases iniciais, pode ser assistida por um familiar, por um acompanhante terapêutico ou pelo próprio terapeuta.
Exposição assistida
Estudos têm demonstrado que a exposição assistida pelo terapeuta é mais efetiva do que a exposição individual.1
Após as sessões de exposição, o objetivo é a eliminação completa dos itens da lista de evitações. Se necessário, é feito um reforço nas técnicas de controle de ansiedade e nos exercícios de exposição.
Ao final das sessões, é feita a avaliação da sessão pelo paciente.
No início, as sessões são semanais. Assim que o paciente obtém sucesso em realizar as tarefas programadas e a maioria dos itens da lista foi vencida, as sessões podem ser espaçadas para intervalos quinzenais e até mensais (sessões de reforço).
Por ocasião da alta, é importante fazer uma revisão da lista hierárquica de situações ou de objetos evitados e avaliar se ainda evocam algum grau de ansiedade, bem como estimular o paciente a continuar realizando seus enfrentamentos com todos os tópicos da lista, já que existe possibilidade de recaída.
Para tanto, é fundamental que ele identifique sinais iniciais de alguma forma de esquiva (até mesmo formas encobertas), de hipervigilância, bem como as falsas justificativas para esses comportamentos.
Além disso, é fundamental que o paciente continue praticando os enfrentamentos sobre os quais tem domínio.
Se passar algum tempo sem o contato ou sem os exercícios, é possível que o paciente sinta algum grau de ansiedade quando se apresentar uma ocasião para exposição.
Quando as situações fóbicas são acidentais, como viajar de avião, nem sempre é fácil fazer uma exposição ou mesmo uma hierarquia programada. Nesses casos, é importante aproveitar ao máximo as ocasiões que se apresentam.
Ver, na Figura 1, o algoritmo para tratamento das fobias específicas.
FIGURA 1 | Algoritmo de tratamento para fobia específica. // FSIF, fobia de sangue/injeção/ferimento. No caso da FSIF, associar tensão aplicada.
Referências
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
- Hellström K, Ost LG. One-session therapist directed exposure vs two forms of manual directed self-exposure in the treatment of spider phobia. Behav Res Ther. 1995;33(8):959-65.
Autores
Aristides Volpato Cordioli
Cristiano Tschiedel Belem da Silva
Ilana Andretta