Psicoterapia nas fobias específicas: Terapia comportamental de exposição - Estratégias complementares
Ver também
- Psicoterapia nas fobias específicas – Considerações gerais
- Características e categorias
- Etiologia
- Terapia comportamental de exposição
- Terapia cognitiva
- Duração do tratamento, alta e prevenção de recaída
- Evidências de eficácia das terapias comportamentais e cognitivas
- Terapia de modificação do viés atencional
Controle da respiração e relaxamento muscular
Uma vez elaborada a lista, e antes mesmo da seleção das primeiras tarefas de exposição, o terapeuta pode ensinar alguns exercícios e técnicas de controle de ansiedade, como o relaxamento muscular e o controle da respiração (ou respiração diafragmática), especialmente para os pacientes cujo contato com a situação ou o objeto fóbico provoca ansiedade intensa.
Distração
O paciente com fobia tem sua atenção, com muita frequência, focada na possibilidade de contato com o objeto fóbico, particularmente em fobias de insetos ou animais de pequeno porte.
Essa atenção pode dar origem à evitação de fotografias, revistas, restaurantes, praças, entre outros, e à hipervigilância.
É importante que o terapeuta chame a atenção para o fato paradoxal de que essa preocupação aumenta a ansiedade, além de fazer o paciente encontrar os referidos objetos com muito mais frequência. Portanto, o terapeuta deve orientá-lo a abolir essa hipervigilância, evitando verificações e adotando o uso de técnicas de distração.
Tensão aplicada
A tensão aplicada é especialmente útil como estratégia de enfrentamento durante as exposições na fobia de sangue, injeção e ferimentos.
A ideia é contrabalançar a resposta vasovagal por meio da contração muscular e do aumento do tônus cardiocirculatório.
Ensina-se o paciente a contrair os músculos dos braços, do tronco e das pernas até que ele sinta calor nesses locais (em geral, 10 a 15 segundos).
Então, ele é instruído a relaxar por 20 a 30 segundos e repetir o procedimento até que tenha aprendido a técnica.
Dominada a técnica, o paciente deve repeti-la sempre que sentir que sua pressão está diminuindo (p. ex., quando sentir-se tonto).
Também é indicado o exercício de polichinelos, precedendo a exposição propriamente dita.
Inundação
Consiste em exposição súbita e prolongada a estímulos ou situações que provoquem o máximo de ansiedade, com bloqueio dos comportamentos de evitação até a diminuição significativa da ansiedade.
É menos utilizada do que a exposição gradual, porque provoca grande desconforto.
Em alguns casos, é impossível fazer a exposição gradual. Nesses casos, costuma-se recorrer à inundação.
Alguns exemplos de inundação são: entrar em um avião para uma viagem de várias horas ou viajar de carro de uma cidade a outra sem que seja possível interromper o trajeto.
A inundação pode ocorrer na imaginação ou in vivo, sendo assistida, ou não, pelo terapeuta.
Como forma de reduzir a intensidade do desconforto, o paciente pode ser orientado a usar, antes e no início do exercício, as estratégias para enfrentamento da ansiedade: relaxamento muscular, controle da respiração e distração.
Exposição virtual
A exposição à realidade virtual é uma alternativa ao uso da exposição in vivo, devendo ser considerada principalmente quando esta última for muito onerosa ou de difícil acesso para o paciente ou para indivíduos que têm grande dificuldade na realização de exercícios que utilizem a imaginação.
Na atualidade, existem técnicas de exposição com realidade virtual que consistem em produzir, em computador, situações fóbicas que provoquem sintomas de ansiedade.
O paciente é exposto a essas situações, e, em consequência, pode haver diminuição de seus sintomas (p. ex., ambientes fechados com aranhas ou ratos se movendo).
A exposição à realidade virtual tem sido utilizada com sucesso no tratamento de medo de altura (acrofobia).
Nessa técnica, situações virtuais que simulam edifícios altos, sacadas ou pontes, às quais os pacientes são expostos por cerca de 35 a 45 minutos, são criadas em computador, sendo que o grau de exposição e o tempo podem ser controlados pelos próprios pacientes.
Experiências semelhantes foram utilizadas para o tratamento de agorafobia, medo de escorpiões, aranhas, ratos, pássaros e medo de voar e de dirigir.
Para pacientes com medo de altura, por exemplo, um exercício interessante é assistir repetidamente ao filme A travessia, de Robert Zemeckis.
Para algumas situações, como na fobia de sangue, injeção e ferimentos, medo de voar, fobias de pequenos animais (aranhas, ratos, baratas, pássaros) e medo de altura, formas bastante simples de exposições virtuais são assistir repetidamente a filmes e desenhos animados, jogar games que contenham essas situações e se expor a objetos semelhantes aos temidos.
Referência
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
Autores
Aristides Volpato Cordioli
Cristiano Tschiedel Belem da Silva
Ilana Andretta