Psicoterapia nas fobias específicas: Terapia de modificação do viés atencional

Psicoterapia nas fobias específicas: Terapia de modificação do viés atencional

Ver também

Déficit no processamento de informações

Diversos estudos publicados, sobretudo na última década, sugerem que indivíduos com diferentes transtornos de ansiedade podem apresentar déficit no processamento de informações relacionadas a estímulos ameaçadores.

Os pacientes com transtorno de ansiedade generalizada, por exemplo, tendem a prestar mais atenção e a fixar mais o olhar em faces humanas com expressões ameaçadoras (p. ex., medo, raiva) do que neutras, o que é denominado pelos pesquisadores como viés atencional voltado a estímulos ameaçadores. Tal achado é consistente nos diferentes transtornos de ansiedade.

Embora indivíduos com fobia específica apresentem o mesmo padrão dos demais transtornos de ansiedade quando o estímulo é a face humana, isso não pode ser afirmado para estímulos relacionados ao objeto da fobia.

Indivíduos com aracnofobia, por exemplo, podem apresentar viés atencional tanto direcionado para como evitativo de figuras de aranhas.

Terapia de modificação do viés atencional

Considerando que o déficit no processamento de informações possa não apenas causar, mas também agravar os transtornos de ansiedade, pesquisadores têm buscado formas de modificar o viés atencional por meio da terapia de modificação do viés atencional (TMVA).1

Na fobia específica, o viés pode ser direcionado tanto para focar a atenção em um objeto ou situação fóbica específicos como para evitar figuras relacionadas ao objeto da fobia.

Os estudos com TMVA objetivam treinar os participantes a fixar seu olhar no estímulo oposto ao viés atencional inicial.

Os achados dos estudos publicados ainda são iniciais e pouco robustos para que se possa indicar a TMVA rotineiramente, porém sugerem que essa abordagem possa ter um papel na terapêutica das fobias.

De qualquer forma, é importante que o terapeuta chame a atenção do paciente para a redução da hipervigilância, comum especialmente em indivíduos que têm fobias de pequenos animais (p. ex., ratos, aves, insetos).

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. Fox E, Zougkou K, Ashwin C, Cahill S. Investigating the efficacy of attention bias modification in reducing high spider fear: the role of individual differences in initial bias. J Behav Ther Exp Psychiatry. 2015;49(A):84-93.

Autores

Aristides Volpato Cordioli
Cristiano Tschiedel Belem da Silva
Ilana Andretta