Psicoterapia nos transtornos de sintomas somáticos e transtornos relacionados: Farmacoterapia versus psicoterapias

Psicoterapia nos transtornos de sintomas somáticos e transtornos relacionados: Farmacoterapia versus psicoterapias

Ver também

Farmacoterapia

O manejo dos transtornos de sintomas somáticos e transtornos relacionados (TSSTRs) é multifacetado e composto por intervenções tanto psicoterapêuticas1 quanto psicofarmacológicas.

A efetividade dos medicamentos é limitada. Os antidepressivos são a classe farmacológica mais benéfica nesses casos (evidência de moderada qualidade), além de uma combinação de antidepressivos serotonérgicos com antipsicóticos também ter demonstrado alguma efetividade (evidência de baixa qualidade).2

Quando os sintomas de preocupação e/ou medo são mais proeminentes do que os sintomas somáticos, o medicamento pode ter uma função mais significativa, bem como quando há comorbidades psiquiátricas que respondem à farmacoterapia.

Psicoterapias

Comparativamente, as psicoterapias apresentam maior efetividade (ainda que limitada) do que a psicofarmacoterapia nos TSSTRs.

Pacientes com transtorno de ansiedade de doença (TAD) (o antigo subgrupo de hipocondria com insight) apresentam maior propensão para aceitar tratamentos psicoterápicos do que medicamentosos e, quando comparados a pacientes com outros transtornos de sintomas somáticos (TSSs), aceitam mais facilmente a participação em tratamentos psicoterápicos.

Entretanto, a maioria dos pacientes com TSSTR costuma relutar ou ter baixa adesão aos dois tratamentos (50 a 80% de recusa a atendimentos em saúde mental).

Da mesma forma, não há estudos randomizados que tenham testado a efetividade da associação de medicamento e psicoterapia em TSSTR.

Em regra, esses pacientes referem alto nível de insatisfação com os tratamentos oferecidos.

O terapeuta precisa estar ciente de que fatores psicológicos, sociais e culturais modulam a expressão de sintomas somáticos. Há alto grau de sobreposição de apresentações clínicas dos TSSTRs, e isso influencia o planejamento e a prestação do atendimento psicoterápico.

Condutas terapêuticas essenciais

  • Estabelecer uma aliança terapêutica colaborativa.
  • Realizar consultas regulares.
  • Reconhecer e legitimar determinados sintomas (empatia), desde que tenham sido avaliados pelo clínico.
  • Ter um clínico de confiança ao qual o paciente possa recorrer sempre que os sintomas físicos se modificarem ou indicarem a possibilidade de uma doença física, para afastar qualquer dúvida.
  • Limitar a realização de testes diagnósticos.
  • Reassegurar o paciente de que doenças mais graves foram descartadas.
  • Educar o paciente sobre seus sintomas físicos.
  • Demonstrar aceitação e respeito pelo paciente.
  • Promover uma comunicação efetiva e clara.
  • Estabelecer alguns objetivos funcionais do tratamento (mais do que focado na “cura”).

É importante enfatizar a “conexão” mente-corpo, evitando comentários do tipo “Não há nada médica ou fisicamente errado com você”.

Estudos empíricos de terapia familiar são praticamente inexistentes nesse contexto.3

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V. ; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. van Dessel N, den Boeft M, van der Wouden JC, Kleinstäuber M, Leone SS, Terluin B, et al. Non-pharmacological interventions for somatoform disorders and medically unexplained physicalsymptoms (MUPS) in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2014;(11):CD011142.
  2. Kleinstäuber M, Witthöft M, Steffanowski A, van Marwijk H, Hiller W, Lambert MJ. Pharmacological interventions for somatoform disorders in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2014;(11):CD010628.
  3. Sharma MP, Manjula M. Behavioural and psychological management of somatic symptom disorders: an overview. Int Rev Psychiatry. 2013;25(1):116-24.

Autores

Alexandre Annes Henriques
Maria Cristina Garcia Vasconcellos
Sandra Machado Wolffenbüttel