Psicoterapia nos transtornos alimentares: Diagnóstico, epidemiologia e comorbidades

Psicoterapia nos transtornos alimentares: Diagnóstico, epidemiologia e comorbidades

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Avaliação

A avaliação do paciente busca diagnosticar o transtorno alimentar (TA), fazer o diagnóstico diferencial e avaliar comorbidades, tratamentos anteriores, insight, motivação, grau de sofrimento e intensidade dos sintomas para definir a abordagem terapêutica.

Deve-se estar atento ao fato de que os TAs podem iniciar em qualquer idade e em ambos os sexos.1

As manifestações clínicas dos TAs podem variar ao longo da vida, e é relativamente comum o fenômeno da migração diagnóstica2 – por exemplo, o início do quadro na adolescência com predomínio de sintomas restritivos e desnutrição, uma progressiva perda de controle sobre a alimentação e a adoção de métodos purgativos ou, ainda, o abandono da purgação, mesmo com episódios de compulsão, podendo ocasionar obesidade.

Além disso, é muito comum que os pacientes não sejam diagnosticados e tratados nos primeiros anos do quadro e que adultos se apresentem para tratamento muitos anos após o início, inclusive em idade avançada.1 Isso pode ocorrer porque os TAs apresentam sintomas como ansiedade, humor depressivo ou irritável, ideias obsessivas e compulsões, que podem fazer os sintomas específicos desses transtornos passarem despercebidos por longo tempo e fazer os pacientes receberem diagnósticos e tratamentos diversos não específicos para TAs.

Em muitos casos, os sintomas associados são intensos ou relevantes o suficiente para serem realmente diagnosticados como entidades clínicas específicas. Portanto, nessa situação, o paciente apresenta transtornos comórbidos.

Comorbidades

As comorbidades mais frequentes são: transtornos do humor, transtornos de ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtornos relacionados ao uso de substâncias, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) e transtorno da personalidade borderline (TPB).

Nesses casos, o tratamento concomitante é fundamental, pois alguns sintomas de TAs agravam os sintomas das comorbidades.

Um exemplo disso é o fato de que a desnutrição pode causar ou intensificar sintomas obsessivo-compulsivos.2

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. Hay P, Chinn D, Forbes D, Madden S, Newton R, Sugenor L, et al. Royal Australian and New Zealand College of Psychiatrists clinical practice guidelines for the treatment of eating disorders. Aust N Z J Psychiatry. 2014;48(11):977-1008.
  2. Fairburn CG. Cognitive behavior therapy and eating disorders. New York: Guilford; 2008.

Autores

Miriam Garcia Brunstein
Andressa S. Behenck
Júlia Medeiros Huber
Katiúscia Gomes Nunes