Psicoterapia nos transtornos alimentares: Outras terapias

Psicoterapia nos transtornos alimentares: Outras terapias

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Introdução

Considerando que as principais terapias cognitivo-comportamentais (TCCs) não incluíam a emoção como principal foco de tratamento, surgiu uma nova “onda” de terapias cognitivas, que colocam como fundamental a regulação emocional na abordagem terapêutica, como a terapia comportamental dialética (DBT, do inglês dialectical behavior therapy), a terapia de aceitação e compromisso (ACT, do inglês acceptance and commitment therapy), a terapia focada nas emoções (TFE), entre outras.

Terapia integrativa cognitivo-afetiva

Nesse contexto, foi desenvolvida a terapia integrativa cognitivo-afetiva, que contém elementos-chave da TCC para o tratamento da bulimia nervosa (BN) integrados à importância das emoções e do comportamento interpessoal.

Os objetivos da abordagem da terapia integrativa cognitivo-afetiva são:

  • Aumentar a motivação no tratamento.
  • Estipular um sistema de planejamento comportamental orientado às refeições.
  • Promover atenção cuidadosa nas respostas emocionais e exposições às emoções – por exemplo, emoções associadas à comida, ao corpo e ao peso.
  • Promover estratégias para identificar padrões interpessoais e autodiretivos de comportamento.

Essa abordagem é baseada em um modelo de tratamento multifatorial que inclui fatores emocionais, interpessoais, cognitivos e comportamentais, levando em conta aspectos biológicos que estão por trás dessa psicopatologia e aumentam o risco do desenvolvimento e da manutenção dos sintomas.1

Intervenções baseadas em mindfulness

Intervenções de meditação, entre elas mindfulness, têm efetividade comprovada na redução do estresse psicológico, com resultados positivos na redução de sintomas depressivos e ansiosos.

Na técnica de mindfulness, é cultivada a consciência da experiência no momento presente, com uma atitude não julgadora e objetiva, para promover a autorregulação e a melhora de hábitos alimentares.

Estudos têm sido realizados principalmente em pacientes obesos e com transtorno de compulsão alimentar (TCA), nos quais o foco é a autorregulação e o controle dos impulsos.

Ainda há limitação nas evidências, particularmente na manutenção de longo prazo, mas há indicativos de que as intervenções baseadas em mindfulness melhorem o comportamento alimentar.1

Terapia do esquema

A terapia do esquema (TE) é considerada um tipo de abordagem terapêutica da “terceira onda” das TCCs.

O foco é a modificação de esquemas mal-adaptativos em um repertório adaptativo.

A TE para transtornos alimentares (TAs) envolve identificar, mudar e reestruturar esquemas desadaptativos que geram pensamentos automáticos negativos e comportamentos disfuncionais relacionados à comida, ao comer, à forma do corpo e ao peso.

Quando foi estudada a adaptação para os TAs, as experiências iniciais de vida e o desenvolvimento e a manutenção dos problemas alimentares foram levados em conta.2

Terapia de exposição e prevenção de resposta

A terapia de exposição e prevenção de resposta foi baseada no modelo para tratamento de TOC.

Na BN, envolve a exposição ao alimento seguida de estratégias psicológicas de prevenção de comportamentos disfuncionais para controle de peso, como vômitos, até o ponto em que o impulso para compulsão ou vômito ceda.

Na anorexia nervosa (AN), envolve a exposição aos alimentos temidos, evitando-se comportamentos como pesagem excessiva, a fim de diminuir a ansiedade e, com isso, aumentar a ingestão alimentar.

Até o momento, não há evidências significativas que deem suporte para a indicação.1

Manuais de autoajuda

Os manuais de autoajuda têm demonstrado resultados interessantes para BN e TCA, embora possam ser arriscados para pacientes com AN, sobretudo com baixo peso.

Podem ser utilizados estritamente como autoajuda ou com monitoramento de profissional que auxilie na implementação.

Os resultados dos estudos têm apontado que esses manuais podem ser alternativas úteis em situações nas quais os pacientes não tenham acesso a tratamento presencial.3

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. Berg KC, Wonderlich SA. Emerging psychological treatments in the field of eating disorders. Curr Psychiatry Rep. 2013;15(11):404.
  2. McIntosh VVW, Jordan J, Carter JD, Luty SE, Carter FA, McKenzie JM, et al. Assessing the distinctiveness of psychotherapies and examining change over treatment for anorexia nervosa with cognitive-behavior therapy, interpersonal psychotherapy, and specialist supportive clinical management. Int J Eat Disord. 2016;49(10):958-62.
  3. Yager J, Devlin MJ, Halmi KA, Herzog DB, Powers P, Zerbe KJ. Guideline watch (august 2012): practice guideline for the treatment of patients with eating disorders. 3rd ed. Focus. 2012;12(4):416-31.

Autores

Miriam Garcia Brunstein
Andressa S. Behenck
Júlia Medeiros Huber
Katiúscia Gomes Nunes