Psicoterapia nos transtornos alimentares: Manejo clínico de apoio feito por especialista
Ver também
- Diagnóstico, epidemiologia e comorbidades
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
- Psicoterapia de orientação analítica (POA)
- Terapia interpessoal (TIP)
- Terapia de mentalização (TM)
- Terapia familiar e terapia de casal
- Terapia comportamental dialética (DBT)
- Terapia de remediação cognitiva (TRC)
- Modelo Maudsley para tratamento de anorexia nervosa em adultos (MANTRA)
- Outras terapias
O manejo clínico de apoio feito por especialista (MCAFE) é uma abordagem utilizada no tratamento ambulatorial de pacientes com anorexia nervosa (AN) com baixo peso.
Foi inicialmente desenvolvido para um ensaio clínico como grupo de comparação com terapia cognitivo-comportamental (TCC) e terapia interpessoal (TIP).
O MCAFE envolve a combinação de aspectos de manejo clínico e psicoterapia de apoio para abordar sintomas nucleares da AN.
O manejo clínico inclui cuidado de qualidade realizado por clínico treinado sem um regime específico de tratamento, enfatizando o papel dos profissionais da saúde em não causar danos, garantir segurança, prover educação, cuidado e suporte. Explora os elementos não específicos das intervenções clínicas e sua relevância em promover mudanças com ênfase na relação terapêutica e na psicoeducação.
A psicoterapia de apoio auxilia o paciente com suporte, encorajando-o a fazer mudanças e explorar os diversos aspectos delas.1
Em um ensaio clínico de comparação entre TCC, TIP e MCAFE, o MCAFE mostrou-se superior aos tratamentos especializados.2 No entanto, esse resultado não se confirmou em estudos posteriores.
Em ensaio clínico que comparou MCAFE e terapia de mentalização (TM), as perdas de seguimento mostraram-se tão significativas que os resultados foram inconclusivos.3
Os objetivos do MCAFE são a facilitação de uma alimentação normal e a recuperação de peso por meio da utilização intensa da psicoeducação e da abordagem de outras questões que o paciente julga como relevantes para seu contexto pessoal.
Adotar uma postura de respeitar as defesas psicológicas sem desafiá-las pode favorecer a efetividade dessa abordagem.4
Referências
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
- Grilo CM, Mitchell JE. The treatment of eating disorders: a clinical handbook. New York: Guilford; 2010. p.625.
- Hay P, Chinn D, Forbes D, Madden S, Newton R, Sugenor L, et al. Royal Australian and New Zealand College of Psychiatrists clinical practice guidelines for the treatment of eating disorders. Aust N Z J Psychiatry. 2014;48(11):977-1008.
- Robinson P, Hellier J, Barrett B, Barzdaitiene D, Bateman A, Bogaardt A, et al. The NOURISHED randomised controlled trial comparing mentalisation-based treatment for eating disorders (MBT-ED) with specialist supportive clinical management (SSCM-ED) for patients with eating disorders and symptoms of borderline personality disorder. Trials; 2016;17(1):549.
- Hay P. A systematic review of evidence for psychological treatments in eating disorders: 2005-2012. Int J Eat Disord. 2013;46(5):463-9.
Autores
Miriam Garcia Brunstein
Andressa S. Behenck
Júlia Medeiros Huber
Katiúscia Gomes Nunes