Psicoterapia no transtorno de ansiedade social (fobia social): Outras estratégias de tratamento

Psicoterapia no transtorno de ansiedade social (fobia social): Outras estratégias de tratamento

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Introdução

O treinamento de habilidades sociais (THS) e o treinamento de assertividade são utilizados para aumentar o repertório de respostas e facilitar as tarefas de exposição nos pacientes que, efetivamente, apresentem déficits de habilidades sociais, e não distorções cognitivas em sua avaliação.

Técnicas de manejo de estresse, como relaxamento e atenção plena (mindfulness), são estratégias úteis no tratamento do transtorno de ansiedade social (TAS).

Treinamento de habilidades sociais e treinamento de assertividade

Alguns pacientes com TAS apresentam inibições e deficiências em relação a comportamentos requeridos em interações sociais.

A consciência dessas dificuldades conduz ao isolamento, o qual, por sua vez, impede a aprendizagem e o treino das habilidades devidas.

Dessa forma, o THS e o treinamento de assertividade têm como principal meta fornecer ao paciente um repertório amplo e variado de comportamentos sociais mais adaptativos, diminuindo a passividade e a sensação de impotência ou raiva e levando em conta as características do paciente e o grupo social no qual ele está inserido.

É importante ressaltar que não há um critério absoluto ou correto para habilidade social. A definição mais comum é uma resposta competente em uma situação social específica.

Como uma forma de habilidade social, a assertividade envolve a expressão de sentimentos e direitos pessoais sem violação do direito alheio.

Técnicas de manejo de estresse

Relaxamento

Durante muitos anos, o relaxamento foi efetivamente utilizado nos transtornos de ansiedade.1

No entanto, essa abordagem foi sendo cada vez mais abandonada por se constatar que o relaxamento poderia ser considerado um comportamento de segurança, contribuindo, assim, para a manutenção do transtorno. Por exemplo, se o indivíduo acreditar que os outros o verão ruborizado e pensarão que é anormal, diminuir a ansiedade por meio do relaxamento poderá levá-lo a acreditar que só não ficou tão ruborizado e os outros não o avaliaram negativamente por causa disso.

Essa é a razão de a maioria das terapias cognitivo-comportamentais (TCCs) não incluir essa estratégia em suas propostas.

No entanto, levando em conta que para tudo existem exceções, considera-se também que, em algumas situações (excepcionais), o manejo do estresse pode constituir-se uma estratégia de coping.

Contudo, o terapeuta sempre deve estar atento à possibilidade de esse manejo se transformar rapidamente em um comportamento que reforça crenças negativas em vez de desconfirmá-las.

Mindfulness

A prática de mindfulness, por sua vez, é definida como prestar atenção − de uma forma particular, com propósito, e sem julgamento − na experiência momento a momento.2

Assim, com pacientes com TAS, estar mindful inclui prestar atenção na multiplicidade das experiências do momento, e não apenas em como acham que estão se comportando (i.e., atenção autofocada).

No caso de H.M. (acesse o Exemplo clínico), seria possível iniciar com um exercício de mindfulness focado na respiração, utilizando-a como âncora ao momento presente, empregando essa técnica ao perceber que estava novamente se preocupando com eventos passados ou futuros.

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. National Institute for Health and Care Excellence. Social anxiety disorder: recognition, assessment and treatment. NICE clinical guideline; 2013;159.
  2. McGinn LK, Newman, MG. Status update on social anxiety disorder. Int J Cognitive Therapy. 2013;6(2):88-233.

Autores

Daniela Zippin Knijnik
Maria do Céu Salvador
Ligia Ito