Psicoterapia no transtorno de ansiedade social (fobia social): Avaliação e diagnóstico do paciente
Ver também
- Psicoterapia no transtorno de ansiedade social (fobia social)
- Modelos de conceitualização do TAS
- Como é o tratamento do paciente com TAS
- Avaliação e diagnóstico do paciente com TAS
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
- Outras estratégias de tratamento
- Término da terapia e prevenção de recaída
- Terapia cognitivo-comportamental em grupo (TCCG)
- TCC: evidências empíricas de eficácia das diferentes estratégias
Avaliação do paciente com TAS
A avaliação é a etapa que antecede a terapia propriamente dita. Pode ser feita em 1 a 2 sessões de entrevistas semiestruturadas.
Sua função é coletar a história clínica do transtorno de ansiedade social (TAS), confirmar o diagnóstico, fazer o diagnóstico diferencial, estabelecer o modo, a idade de início, o tempo de duração e a presença ou não de comorbidades, além de familiarizar o paciente com o transtorno e o tratamento.
A procura de ajuda por indivíduos com TAS é muito reduzida.
Aqueles que procuram tratamento queixam-se de condições comórbidas (p. ex., depressão) e, muitas vezes, evitam falar sobre sua ansiedade social.1
Nesse sentido, durante as entrevistas de avaliação, é importante incluir um familiar para auxiliar na coleta de informações e nas dificuldades de interação social do paciente.
A avaliação deve incluir predisposição biológica, história familiar (influência de estressores para agravamento dos sintomas, como estilo de educação, cobrança por parte dos pais ou superproteção), experiências na escola (bullying, ansiedade muito alta diante de provas ou medo de falar em sala de aula, situação social geradora de sentimento de humilhação ou vergonha), padrão de relacionamentos sociais, sexuais e afetivos e habilidades sociais.2
No screening do TAS,1 duas perguntas devem ser feitas: “Você sente medo ou vergonha em situações sociais?” e “Você se percebe evitando situações sociais ou atividades?”.
Além disso, a avaliação implica o levantamento de situações sociais (desempenho, interação e observação) geradoras de medo e ansiedade (grau de intensidade) e da frequência das evitações e da gravidade dos sintomas, o que pode ser aferido por meio de escalas diagnósticas.
A escala de avaliação validada e amplamente utilizada é a escala de ansiedade social de Liebowitz (LSAS, do inglês Liebowitz social anxiety scale). De acordo com pontos de corte da LSAS, o TAS apresenta casos leves, moderados e graves.
Perguntas para diagnóstico de TAS
Como exemplos de perguntas, podem-se considerar:
- Em aspectos da vida acadêmica: “Você consegue ir às aulas diariamente?”, “Se você chegar atrasado, consegue entrar em sala de aula quando os colegas já estiverem sentados?”, “Você consegue responder à chamada?”, “O que você faz nos intervalos?”, “Você consegue iniciar uma conversa com um colega?” e “Como você se sente ao apresentar um trabalho em aula?”.
- Em aspectos da vida social/afetiva: “Você tem amigos/namorado(a)?”, “Você costuma sair à noite?”, “Você aceita convites para ir a bares ou festas?”, “Em um restaurante, você consegue chamar o garçom e fazer o pedido?” e “Quando sua família recebe visitas, você consegue interagir?”.
- Em aspectos da vida profissional: “Você consegue conversar com seus colegas de trabalho?”, “E falar com seu chefe?”, “Como você faz na hora das refeições?” e “Você consegue falar em reuniões?”.
Conceitualização do caso
Na conceitualização do caso, os sintomas são avaliados do ponto de vista fisiológico, cognitivo e comportamental, levando em conta o modelo cognitivo do TAS.
Informações mais específicas dependem do modelo conceitual escolhido. Todos os aspectos considerados importantes pelos modelos devem ser explorados colaborativamente com o paciente, visando à construção (também colaborativa) da formulação de caso e à intervenção.
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Referências
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
- National Institute for Health and Care Excellence. Social anxiety disorder: recognition, assessment and treatment. NICE clinical guideline; 2013;159.
- McGinn LK, Newman, MG. Status update on social anxiety disorder. Int J Cognitive Therapy. 2013;6(2):88-233.
Autores
Daniela Zippin Knijnik
Maria do Céu Salvador
Ligia Ito