Psicoterapia no transtorno de ansiedade social (fobia social): Terapia cognitivo-comportamental em grupo
Ver também
- Psicoterapia no transtorno de ansiedade social (fobia social)
- Modelos de conceitualização do TAS
- Como é o tratamento do paciente com TAS
- Avaliação e diagnóstico do paciente com TAS
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
- Outras estratégias de tratamento
- Término da terapia e prevenção de recaída
- TCC: evidências empíricas de eficácia das diferentes estratégias
Introdução
A terapia em formato de grupo constitui um dos tratamentos disponíveis para o transtorno de ansiedade social (TAS).
A modalidade mais estudada, de acordo com a literatura, é a terapia cognitivo-comportamental em grupo (TCCG), que consiste em técnicas de exposição, reestruturação cognitiva e tarefas de casa.
O modelo de TCCG proposto por Heimberg1 tem sido amplamente investigado e é considerado o padrão-ouro de TCCG para o TAS.2
Em geral, as taxas de abandono são baixas e não estão associadas a nenhuma variável do paciente.
Formação do grupo
O grupo deve ser balanceado por sexo, idade e gravidade do TAS.
Pacientes com depressão e ansiedade graves, com outro transtorno primário que não TAS, com transtorno da personalidade associado e que sejam excessivamente hostis e exigentes, com risco de desenvolver respostas de raiva em defesa ao medo da interação social, não se beneficiam com essa abordagem terapêutica e devem receber outro tipo de tratamento.
O número ideal de pacientes para compor o grupo é em torno de 6, e o de terapeutas, 2, de preferência um do sexo masculino e outro do sexo feminino.
O tratamento deve conter 12 sessões semanais, cada uma com duração de 2 horas, e seguir uma programação estruturada para cada etapa da terapia.1
Vantagens da TCCG
- Compartilhar dificuldades.
- Promover exposição in vivo.
- Oferecer evidências contra distorções cognitivas.
- Estabelecer comprometimento público de mudança.
- Fornecer aprendizagem vicariante.
Além das vantagens citadas, a TCCG é uma alternativa mais econômica para o paciente e diminui o tempo gasto do terapeuta.
Na TCCG, mais pacientes são atendidos por um terapeuta, o que reduz os custos do tratamento. Entretanto, se a ansiedade é intensa, de longa duração e há outros transtornos associados, não se observa o mesmo benefício dessa abordagem, sendo necessária uma terapia individualizada.
Componentes complementares
Algumas terapias que seguem o protocolo de Heimberg1 de TCCG consideram componentes complementares, como treinamento de habilidades sociais, técnicas de modificação de atenção, imaginação ou prática de mindfulness e aceitação.
Além disso, o modelo cognitivo de Clark e Wells3 foi adaptado para o formato de grupo.2
Referências
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
- Heimberg RG, Dodge CS, Hope DA, Kenedy CR, Zollo LJ, Becker RE. Cognitive behavioral group treatment for social phobia: comparison with a credible placebo control. Cognitive Ther Res. 1990;14(1):1-23.
- Barkowski S, Schwartze D, Strauss B, Burlingame GM, Barth J, Rosendahl J. Efficacy of group psychotherapy for social anxiety disorder: a meta-analysis of randomized-controlled trials. J Anxiety Disord. 2016;39:44-64.
- Clark DM, Wells A. A cognitive model of social phobia. In: Heimberg RG, Liebowitz DA, Hope A, Schneier FR, editors. Social phobia: Diagnosis, assessment and treatment. New York: Guilford; 1995; p.69-93.
Autores
Daniela Zippin Knijnik
Maria do Céu Salvador
Ligia Ito