Psicoterapia no transtorno de ansiedade social (fobia social): Evidências empíricas de eficácia das diferentes estratégias de terapia cognitiva-comportamental
Ver também
- Psicoterapia no transtorno de ansiedade social (fobia social)
- Modelos de conceitualização do TAS
- Como é o tratamento do paciente com TAS
- Avaliação e diagnóstico do paciente com TAS
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
- Terapia cognitivo-comportamental em grupo (TCCG)
- Outras estratégias de tratamento
- Término da terapia e prevenção de recaída
TCC individual e TCCG
Em uma revisão sistemática e em uma metanálise em rede sobre as intervenções psicológicas e farmacológicas para o transtorno de ansiedade social (TAS),1 a terapia cognitivo-comportamental (TCC) individual apresentou o maior tamanho de efeito (1,19). Desse modo, a TCC individual é considerada a primeira escolha entre as modalidades de psicoterapia1,2 para o TAS.
A terapia cognitivo-comportamental em grupo (TCCG) é considerada um tratamento eficaz para o TAS e apresenta tamanho de efeito equivalente (0,92) a outros formatos de tratamento, como exposição e treinamento de habilidades sociais (0,86).
Em estudos recentes,1,3 não foi estabelecida sua superioridade em relação ao formato individual.
Todavia, as abordagens mais recentes, como a terapia de aceitação e compromisso (ACT, do inglês acceptance and commitment therapy) e a prática de mindfulness, estão se revelando promissoras em relação à eficácia no TAS.4,5
Tratamento combinado
No que se refere ao tratamento combinado, um estudo recente comparou a efetividade da farmacoterapia isolada (paroxetina e placebo) com terapia cognitiva e a efetividade da combinação das duas intervenções em relação a cada tratamento isolado em 102 pacientes com TAS.
Os resultados apontam que a terapia cognitiva é o tratamento mais efetivo para TAS em curto e longo prazos em comparação à paroxetina.
A terapia cognitiva foi superior também em comparação ao tratamento combinado no longo prazo.
Desse modo, o tratamento combinado não promove benefícios em relação à farmacoterapia isolada (paroxetina) ou à terapia cognitiva apenas.2
O tamanho de efeito controlado em curto e longo prazos foi respectivamente: paroxetina, 0,59/0,39; terapia cognitiva, 1,96/1,20; e tratamento combinado, 1,09/0,60.
A combinação de farmacoterapia com modalidades da TCC específicas para a predominância do sintoma de ansiedade social é um campo de pesquisa promissor e merece maior investigação.
TCC não presencial
A TCC não presencial é uma alternativa na ausência de possibilidade de TCC presencial.
Resultados preliminares apontam para uma possível efetividade de protocolos de TCC de realidade virtual ou por internet devido ao maior acesso ao tratamento e ao melhor custo-benefício.
Há quem questione a perda da relação terapeuta-paciente e/ou a percepção negativa dos pacientes acerca dos softwares de tratamento.
No entanto, alguns estudos com TCC têm mostrado resultados promissores quanto à aceitação pelos pacientes.5
Todos esses formatos de TCC apresentam eficácia comprovada.1,6
A TCC pode ser associada em qualquer etapa do tratamento farmacológico.1,7,8
Uma revisão sistemática recente de estudos que utilizaram terapias baseadas na prática de mindfulness e na ACT para o TAS aponta para eficácia igual ou ligeiramente inferior à TCC, porém mais estudos são necessários.1
TCC e farmacoterapia
No TAS, a farmacoterapia e a TCC parecem ter eficácia semelhante no tratamento de curto prazo.
As taxas de resposta e remissão com farmacoterapia no curto prazo são de 50 a 70% e de 20 a 30%, respectivamente.7
Nesse sentido, um número considerável de pacientes não se beneficia com o tratamento farmacológico.
Os psicofármacos apresentam início de ação mais rápido com melhora mais imediata, e a TCC proporciona efeitos mais prolongados.
Em estudos de alta qualidade sobre a TCC no tratamento de curto prazo do TAS, as taxas de resposta ficaram entre 50 e 65%, e as taxas de remissão, entre 8,8 e 36%.
Em estudos de seguimento, a TCC confere melhora de 1 a 6 meses após o tratamento.6
O TAS com especificador “somente de desempenho” responde muito melhor à TCC, especialmente às técnicas de exposição, do que à farmacoterapia.8
Referências
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
- Mayo-Wilson E, Dias S, Mavranezouli I, Kew K, Clark DM, Ades AE, et al. Psychological and pharmacological interventions for social anxiety disorder in adults: a systematic review and network meta-analysis. Lancet Psychiatry, 2014;1(5):368-76.
- Nordahl HM, Vogel PA, Morken G, Stiles TC, Sandvik P, Wells A. Paroxetine, cognitive therapy or their combination in the treatment of social anxiety disorder with and without avoidant personality disorder: a randomized clinical trial. Psychother Psychosom. 2016;85(6):346-56.
- Barkowski S, Schwartze D, Strauss B, Burlingame GM, Barth J, Rosendahl J. Efficacy of group psychotherapy for social anxiety disorder: a meta-analysis of randomized-controlled trials. J Anxiety Disord. 2016;39:44-64.
- Craske MG, Niles AN, Burklund LJ, Wolitzky-Taylor KB, Vilardaga JC, Arch JJ, et al. Randomize Controlled Trial of CBT and ACT for social phobia: outcomes and moderators. J Consult Clin Psychol. 2014;84(6):1034-48.
- Canton J, Scott KM, Glue P. Optimal treatment of social phobia: systematic review and meta-analysis. Neuropsychiatri Dis Treat. 2012;8:203-15.
- Leichsenring F, Leweke F. Social anxiety disorder. NEngl J Med. 2017;376(23):2255-64.
- Blanco C, Bragdon LB, Schneier FR, Liebowitz MR. The evidence-based pharmacotherapy of social anxiety disorder. International J Neuropsychopharmacol. 2013;16(1):235-49.
- Knijnik DZ, De Paula Ramos F, Trachtenberg E. Transtorno de ansiedade social: diretrizes e algoritmo. In: Cordioli AV, editore. Psicofármacos: consulta rápida. 5. ed. Porto Alegre: Artmed; 2015.
Autores
Daniela Zippin Knijnik
Maria do Céu Salvador
Ligia Ito