Psicoterapia no transtorno de ansiedade social (fobia social)

Psicoterapia no transtorno de ansiedade social (fobia social)

Introdução

Milhares de pessoas sofrem de timidez e sentem-se retraídas em situações sociais, quando têm de se aproximar de indivíduos desconhecidos, iniciar uma conversa, receber elogios ou ser o centro das atenções em um grupo.

Em geral, isso representa um aspecto da personalidade que tende a diminuir muito ou a se extinguir ao longo da vida.

A timidez, em si, não é patológica e não requer necessariamente uma abordagem específica de tratamento.

Porém, quando existirem prejuízos significativos em áreas importantes do funcionamento (p. ex., social ou ocupacional), o diagnóstico de transtorno de ansiedade social (TAS), ou fobia social, deve ser considerado.1

Um artigo de revisão sobre TAS de McGinn2 apresenta diversas informações referentes a dados epidemiológicos a respeito desse transtorno.

O TAS é o terceiro transtorno psiquiátrico mais prevalente (em torno de 13%), com início geralmente na infância ou na adolescência (idade média de início: 13 anos), raramente surgindo após os 25 anos.

Desse modo, o TAS gera prejuízo importante na qualidade de vida, podendo tornar-se crônico e não apresentar remissão dos sintomas se não tratado.

O TAS também pode apresentar efeitos adversos no curso de outros transtornos mentais – por exemplo, está associado à maior chance de persistência de abuso de substâncias e a um curso mais maligno da depressão, incluindo suicidalidade, e prejuízo no funcionamento social (produtividade no trabalho, estabelecimento de relações sociais e românticas).3

O TAS é considerado um grande desafio para pesquisadores e profissionais da saúde mental.

Diagnóstico diferencial e comorbidades

O TAS é frequentemente confundido com timidez, permanecendo tanto subdiagnosticado como subtratado.

Entre os indivíduos com TAS, em torno de 46% também preenchem critérios diagnósticos para outro transtorno, sendo que o TAS habitualmente os precede.

A presença de comorbidades representa maior gravidade e cronicidade e pior prognóstico.

Os transtornos comórbidos mais comuns são:

  • Outros transtornos de ansiedade: fobia específica, agorafobia (medo e evitação de situações em que seja difícil ter ajuda ou sair), transtorno de pânico (ataque de ansiedade “do nada”), transtorno de ansiedade generalizada (preocupações com várias questões do cotidiano, não com a avaliação negativa).
  • Transtornos do humor: depressão maior, transtorno bipolar tipo I, distimia – que, muitas vezes, pode mascarar a presença do TAS.
  • Uso/abuso de álcool, como automedicamento para redução de ansiedade em situações sociais, embora pacientes com TAS evitem grupos como Alcoólicos Anônimos (AA).4

Os indivíduos com TAS também apresentam prevalência elevada de comorbidade com transtornos da personalidade, mais comumente com transtorno da personalidade evitativa (60%), o qual reduz a chance de remissão do TAS.

Conheça mais sobre TAS e psicoterapias por meio dos links a seguir:

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders. 5nd ed. Washington: American Psychiatric Association; 2013.
  2. McGinn LK, Newman, MG. Status update on social anxiety disorder. Int J Cognitive Therapy. 2013;6(2):88-233.
  3. Leichsenring F, Leweke F. Social anxiety disorder. NEngl J Med. 2017;376(23):2255-64.
  4. National Institute for Health and Care Excellence. Social anxiety disorder: recognition, assessment and treatment. NICE clinical guideline; 2013;159.

Autores

Daniela Zippin Knijnik
Maria do Céu Salvador
Ligia Ito