Psicoterapia no transtorno de ansiedade generalizada: Evidências de eficácia das psicoterapias

Psicoterapia no transtorno de ansiedade generalizada: Evidências de eficácia das psicoterapias

Ver também

Terapia cognitivo-comportamental

A literatura demonstra que a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma técnica eficaz tanto para o tratamento do transtorno de ansiedade generalizada (TAG) como um todo1 quanto para seu componente principal – a preocupação.2

A taxa de remissão do TAG na TCC é de aproximadamente 70%,3 e os resultados parecem manter-se ao longo do tempo.2-4

Ainda não está claro quais componentes da TCC são os mais eficazes, e parece ainda controverso se o protocolo inteiro é mais eficaz do que seus componentes isoladamente.5 Porém, sabe-se que algumas técnicas, como o treinamento de relaxamento e a terapia cognitiva, são eficazes por si só.

Em relação a outros tipos de tratamento, há evidência de que a TCC é tão eficaz quanto a farmacoterapia, mas mais bem tolerada6 que esta, mais eficaz do que a terapia de apoio7 e mais eficaz para algumas dimensões sintomáticas do que a terapia psicodinâmica.8

No entanto, a literatura que compara diferentes abordagens psicoterápicas ainda é escassa e limitada pelo tempo em que os indivíduos são acompanhados, pela dificuldade de unificar diferentes técnicas e pela dificuldade de aferição de resultados comparáveis.

A resposta à TCC parece similar à resposta aos fármacos, mas mais bem tolerada que esta e com redução do principal componente do TAG – a preocupação.

Psicoterapia de orientação analítica

Por meio de ensaios clínicos randomizados, a literatura também demonstra que a psicoterapia de orientação analítica (POA) é uma técnica eficaz para o tratamento do TAG, apresentando nível A de evidências.8-10 Quando seus componentes são estudados, a autocompreensão apresentou especificidade para a mudança positiva com a técnica de POA no TAG.11

A terapia psicodinâmica de curto prazo, que foi conduzida em até 30 sessões semanais, também resultou em melhorias significativas e estáveis em relação aos sintomas de ansiedade generalizada.8

Um estudo de follow-up destacou que a POA no TAG manteve resultados de melhora mesmo após 12 meses do tratamento.12

Recentemente, pesquisadores alemães avaliaram 403 ensaios clínicos randomizados e publicaram diretrizes sobre o tratamento de transtornos de ansiedade. Nesse estudo, os ensaios clínicos randomizados que avaliaram a terapia psicodinâmica foram marcadamente menores em número e de qualidade inferior àqueles que analisaram a TCC.9 Portanto, a indicação de terapia psicodinâmica deve ser oferecida quando a TCC estiver indisponível ou tiver sido ineficaz previamente, respeitando-se também a preferência do paciente.9

Estudos atuais não permitiram generalizar a duração necessária da POA, e a maioria dos ensaios foi realizada por períodos de 10 a 24 semanas, incluindo técnicas de TCC. A duração do tratamento deve ser planejada individualmente, dependendo da gravidade da doença, das comorbidades e da situação psicossocial global.9

A POA é uma técnica eficaz para o tratamento do TAG, mesmo que apresente menor número de estudos com evidências científicas em relação à TCC.

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. Cuijpers P, Gentili C, Banos RM, Garcia-Campayo J, Botella C, Cristea IA. Relative effects of cognitive and behavioral therapies on generalized anxiety disorder, social anxiety disorder and panic disorder: a meta-analysis. J Anx Disord. 2016;43:79-89.27637075.
  2. Covin R, Ouimet AJ, Seeds PM, Dozois DJ. A meta-analysis of CBT for pathological worry among clients with GAD. J Anxiety Disord. 2008;22(1):108-16.
  3. Dugas MJ, Brillon P, Savard P, Turcotte J, Gaudet A, Ladouceur R, et al. A randomized clinical trial of cognitive-behavioral therapy and applied relaxation for adults with generalized anxiety disorder. Behav Ther. 2010;41(1):46-58.
  4. Cuijpers P, Sijbrandij M, Koole S, Huibers M, Berking M, Andersson G. Psychological treatment of generalized anxiety disorder: a meta-analysis. Clin Psychol Rev. 2014;34(2):130-40.
  5. Borkovec TD, Newman MG, Pincus AL, Lytle R. A component analysis of cognitive-behavioral therapy for generalized anxiety disorder and the role of interpersonal problems. J Consult Clin Psychol. 2002;70(2):288-98.
  6. Mitte K. Meta-analysis of cognitive-behavioral treatments for generalized anxiety disorder: a comparison with pharmacotherapy. Psychol Bull. 2005;131(5):785-95.
  7. Brenes GA, Danhauer SC, Lyles MF, Hogan PE, Miller ME. Telephone-delivered cognitive behavioral therapy and telephone-delivered nondirective supportive therapy for rural older adults with generalized anxiety disorder: a randomized clinical trial. JAMA psychiatry. 2015;72(10):1012-20.
  8. Leichsenring F, Salzer S, Jaeger U, Kachele H, Kreische R, Leweke F, et al. Short-term psychodynamic psychotherapy and cognitive-behavioral therapy in generalized anxiety disorder: a randomized, controlled trial. Am J Psychiatry. 2009;166(8):875-81.
  9. Bandelow B, Lichte T, Rudolf S, Wiltink J, Beutel ME. The diagnosis of and treatment recommendations for anxiety disorders. Dtsch Arztebl Int. 2014;111(27-28):473-80.
  10. Leichsenring F, Leweke F, Klein S, Steinert C. The empirical status of psychodynamic psychotherapy – an update: Bambi’s alive and kicking. Psychother Psychosom. 2015;84(3):129-48.
  11. Gibbons MB, Crits-Christoph P, Barber JP, Wiltsey Stirman S, Gallop R, Goldstein LA, et al. Unique and common mechanisms of change across cognitive and dynamic psychotherapies. J Consult Clin Psychol. 2009;77(5):801-13.
  12. Salzer S, Winkelbach C, Leweke F, Leibing E, Leichsenring F. Long-term effects of short-term psychodynamic psychotherapy and cognitive-behavioural therapy in generalized anxiety disorder: 12-month follow-up. Can J Psychiatry. 2011;56(8):503-8.

Autores

Marianna de Abreu Costa
Carolina Benedetto Gallois
Stefania Pigatto Teche