Psicoterapia no transtorno de ansiedade generalizada: Terapia cognitivo-comportamental e componente comportamental
Ver também
- Psicoterapia no TAG
- Avaliação do paciente com transtorno de ansiedade generalizada (TAG)
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
- Psicoterapia de orientação analítica (POA)
- Evidências de eficácia das psicoterapias
- Outras intervenções no tratamento do TAG
Prevenção de verificações, busca de garantias e exposição às preocupações in vivo
Assim como em outros transtornos de ansiedade, pacientes com transtorno de ansiedade generalizada (TAG) costumam ter comportamentos que momentaneamente aliviam sua ansiedade, mas são responsáveis pela manutenção de seu transtorno.
Os comportamentos de checagens e perfeccionismo, por exemplo, podem reduzir a ansiedade em curto prazo, mas servem para a manutenção do transtorno, visto que muitas pessoas passam a acreditar que se preocupar realmente evita a ocorrência de eventos negativos.
Dessa forma, deve-se realizar, com o paciente, a exposição às situações que são evitadas ou com as quais a pessoa se preocupa e checa em excesso.
Inicialmente, pede-se ao paciente que realize uma lista hierárquica dos comportamentos que aliviam as preocupações e que os enfrente um a um de modo gradual (p. ex., chegar na hora em vez de chegar minutos antes, deixar os filhos dormir fora de casa, dizer não às solicitações, parar de ligar para conferir se os filhos estão bem).
Pode-se, então, questionar o paciente sobre a manutenção da probabilidade do evento mesmo sem o comportamento preocupado.
Acesse aqui o Exemplo clínico de M.
No caso de M., por exemplo, o terapeuta orientou que ela se expusesse gradualmente às seguintes situações:
- Ligasse gradualmente menos vezes ao dia para seu filho até que chegasse a uma frequência de ligações parecida com a de mães de outros colegas do filho.
- Checasse apenas uma vez os orçamentos e notas da empresa antes de enviar a seu chefe.
- Permitisse a participação do filho nos passeios da escola, iniciando pelos que considera mais seguros.
Resolução de problemas
Inicialmente, é importante relembrar ao paciente que muitas preocupações são improdutivas pelo tempo que tomam, por serem inúteis na prevenção de desgraças e por causarem muito sofrimento.
O treinamento em resolução de problemas ajuda o indivíduo a focar as preocupações consideradas produtivas e dar atenção a elas.
Orienta-se o paciente a:
- Definir qual é especificamente o problema.
- Gerar diversas soluções alternativas, mesmo que pareçam absurdas (brainstorming).
- Avaliar os prós e os contras das alternativas.
- Tomar a decisão.
- Praticar a decisão.
- Avaliar o resultado.
Manejo do tempo e definição de metas
É comum o paciente com TAG se preocupar com eventos futuros improváveis ou incontroláveis.
A terapia se preocupa em ajudar o paciente a substituir essas metas irrealistas por objetivos realizáveis e que podem ser alcançados em um prazo razoável.
É importante o paciente reconhecer as distorções cognitivas, as crenças e os esquemas de crenças que contribuem para uma gestão ineficiente do tempo.
Depois desse reconhecimento, podem ser propostos exercícios nos quais o paciente aprende a delegar responsabilidades, a dizer “não” e a estabelecer prioridades.
Além dos exercícios, técnicas cognitivas podem ser usadas para a correção de distorções cognitivas em relação à dificuldade de delegar responsabilidades (como preocupações perfeccionistas, pensamentos catastróficos ou dificuldade de abrir mão do controle) que foram identificadas.
Atividades de valor
O fato de o paciente com TAG estar constantemente focado em suas preocupações faz ele não viver o momento presente e, com isso, envolver-se menos em atividades que valoriza, como estar com amigos e com a família ou realizar atividades de lazer.
O terapeuta deve auxiliar o paciente a dar-se conta do quanto ele deixa de aproveitar o momento presente, a família, os amigos e atividades de lazer para viver um futuro imaginado e motivá-lo a incluir em seu cotidiano mais atividades que proporcionem prazer.
Referência
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
Autores
Marianna de Abreu Costa
Carolina Benedetto Gallois
Stefania Pigatto Teche