Psicoterapia no transtorno de ansiedade generalizada: Terapia cognitivo-comportamental e componente fisiológico
Ver também
- Psicoterapia no TAG
- Avaliação do paciente com transtorno de ansiedade generalizada (TAG)
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
- Psicoterapia de orientação analítica (POA)
- Evidências de eficácia das psicoterapias
- Outras intervenções no tratamento do TAG
Considerações gerais
O paciente com transtorno de ansiedade generalizada (TAG) deve ser informado de que seus sintomas fisiológicos são resultado de um corpo que se prepara para lidar com os perigos previstos em seus pensamentos. Ou seja, as tensões mental e corporal estão associadas.
Tratar o componente fisiológico por si só já traz resultados, e esse aspecto parece ainda mais importante em indivíduos que experimentam sintomas somáticos intensos.
Imaginação positiva
Como dito previamente, o paciente com TAG tem alterações fisiológicas de tensão secundárias a imagens catastróficas intrusivas que ele próprio cria sobre eventos ameaçadores no futuro.
Partindo do mesmo racional, espera-se que imagens mentais positivas tenham o efeito contrário, de relaxamento e tranquilização.
Pode-se orientar o paciente para que reserve alguns minutos de seu dia para visualizar-se em um local seguro e relaxante e para que preste atenção nessa imagem positiva o mais detalhadamente possível, estimulando todos os sentidos (visão, olfato, sensações táteis, audição). Como qualquer habilidade, explica-se ao paciente a necessidade do treinamento diário.
Após o treinamento, o paciente pode, então, lançar mão dessa técnica nos dias em que está mais tenso.
Relaxamento muscular progressivo
Orienta-se o paciente a tensionar e relaxar diversos grupos musculares progressivamente, enquanto percebe a sensação do músculo tenso e relaxado.
Pode-se iniciar o exercício com algumas respirações para tranquilização.
Após, iniciar contraindo a musculatura por aproximadamente 5 segundos e relaxando por aproximadamente 10 segundos. O ideal é que o tempo de contração seja menor do que o tempo de relaxamento.
Assim, o indivíduo deve prosseguir progressivamente pela mão e antebraço, braços, face, pescoço, peito, abdome, coxas, panturrilha e pés.
O paciente pode repetir para si mesmo algo do tipo “relaxe” ou “solte”.
Orienta-se o paciente a realizar essa técnica regularmente.
Respiração diafragmática
Mais classicamente descrita para o controle das crises de pânico, a respiração diafragmática também pode ser ensinada ao paciente com TAG como um instrumento que pode somar-se ao relaxamento muscular.
Na respiração diafragmática, o abdome se desloca para fora na inspiração e para dentro na expiração. Pode-se exemplificar o movimento do abdome como uma bexiga de ar que infla e desinfla.
Orienta-se o paciente a sentar-se ou deitar-se confortavelmente com uma mão sobre o peito e a outra no abdome (logo acima do umbigo) e a respirar pelo nariz, prestando atenção aos movimentos da respiração.
O objetivo é que a mão sobre o abdome se mexa mais do que a mão sobre o peito.
Ele deve treinar por alguns minutos algumas vezes ao longo do dia.
Referência
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
Autores
Marianna de Abreu Costa
Carolina Benedetto Gallois
Stefania Pigatto Teche