Psicoterapia no transtorno de pânico: As sessões de TCC

Psicoterapia no transtorno de pânico: As sessões de terapia cognitivo-comportamental

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Estrutura das sessões

Normalmente, na terapia cognitivo-comportamental (TCC) para o transtorno de pânico, as sessões são estruturadas seguindo-se o modelo básico proposto por Beck.1

  • Avaliação dos sintomas e do humor.
  • Ligação com a sessão anterior: revisão das tarefas de casa.
  • Agenda da sessão (tópicos a serem discutidos na sessão).
  • Discussão dos tópicos da agenda.
  • Combinação de novas tarefas.
  • Resumo dos principais pontos examinados na sessão.
  • Avaliação da sessão pelo paciente (feedback).

Sessões iniciais

As primeiras sessões são dedicadas à avaliação do paciente, à psicoeducação sobre o medo e a ansiedade, sobre o transtorno de pânico e seu tratamento e sobre a TCC em particular, dando uma ideia o mais clara possível de como é a terapia (duração, tarefas de casa, exercícios de exposição e exercícios cognitivos).

Caso o paciente aceite fazer a terapia (está motivado), é feito um treinamento das técnicas para enfrentar a ansiedade (relaxamento muscular e respiração abdominal), bem como exercícios de exposição interoceptiva.

O paciente elabora sua lista de situações de esquiva para, em seguida, iniciar as tarefas de exposição in vivo.

Sessões intermediárias

Nas sessões intermediárias, são introduzidas as técnicas cognitivas ao mesmo tempo em que são mantidos os exercícios de respiração controlada e relaxamento muscular e de exposição interoceptiva e in vivo.

A lista de comportamentos evitados é revisada, e novas tarefas são introduzidas a cada sessão até tais comportamentos serem vencidos por completo.

Sessões finais

Nas sessões finais, são reforçados o conhecimento sobre o uso de medicamentos (doses, duração, retirada), a psicoeducação relacionada ao transtorno de pânico (é um transtorno crônico, as causas não são conhecidas e, portanto, não foram removidas, e as possibilidades de recaída), as técnicas comportamentais essenciais para vencer o medo e a esquiva fóbica, assim como a importância de o paciente conquistar sua total autonomia.

Da mesma forma, deve-se salientar ao paciente que os ganhos da terapia se mantêm ao longo do tempo devido ao aprendizado e à aquisição de ferramentas para lidar com as situações ansiogênicas.

Aborda-se a possibilidade de ocorrerem recaídas, relembrando as atitudes que devem ser adotadas na ocorrência de novos ataques.

Também é fundamental combinar a manutenção do enfrentamento das situações fóbicas.

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. Beck JS. Terapia cognitiva: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed; 1997.

Autores

Gisele Gus Manfro
Elizeth Heldt
Carolina Blaya Dreher