Psicoterapia no transtorno de pânico: TCC

Psicoterapia no transtorno de pânico: Terapia cognitivo-comportamental

Ver também

Introdução

O transtorno de pânico apresenta um curso crônico, com períodos de agudização, remissão e recaídas, associado à presença de comorbidades, sofrimento, prejuízo e alto custo social.

Nesse sentido, o tratamento deve visar ao bloqueio dos ataques de pânico, assim como da presença de ansiedade antecipatória e comportamentos evitativos em longo prazo. Para isso, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) tem sido apontada como primeira escolha entre as terapias devido às evidências de boa resposta tanto em curto1 como em longo prazo.2

A TCC é uma modalidade de tratamento que pode ser realizada individualmente ou em grupo e que vem sendo utilizada em diferentes transtornos psiquiátricos.

Trata-se de uma terapia breve, com duração de 10 a 20 sessões estruturadas com objetivos bem-definidos, prática e que se baseia em tarefas.

Nos pacientes com transtorno de pânico, a TCC é utilizada para corrigir a hipervigilância, as interpretações e crenças distorcidas e, sobretudo, os comportamentos evitativos que ocorrem na maioria dos pacientes e são responsáveis por incapacitação e prejuízo.3

Essa modalidade de intervenção pode ser incluída em qualquer momento do tratamento, principalmente para prevenir a cronicidade da doença, uma vez que os psicofármacos não tratam o núcleo do medo subjacente aos ataques de pânico. O ideal é que a TCC seja iniciada concomitantemente aos medicamentos.1,3

Em geral, a TCC é realizada por profissional da saúde mental, mas há estudos também com a TCC aplicada por computador e via internet.4

Técnicas de TCC e suas fases

As etapas especificadas de TCC para pacientes com transtorno de pânico são apresentadas na Tabela 1.

TABELA 1 | ETAPAS DA TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL PARA TRANSTORNO DE PÂNICO

Fase inicial

  • Psicoeducação
  • Técnicas para enfrentamento da ansiedade: exercícios de relaxamento muscular e de respiração diafragmática

Fase intermediária

  • Monitoramento e técnicas cognitivas e comportamentais:
    • Exposição interoceptiva
    • Listagem e hierarquização dos comportamentos evitativos
    • Exposição gradual in vivo

Fase final

  • Prevenção de recaída
  • Alta

Acesse conteúdos específicos sobre:

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. Heldt E, Manfro GG, Kipper L, Blaya C, Maltz S, Isolan L, et al. Treating medication-resistant panic disorder: predictors and outcome of cognitive-behavior therapy in a Brazilian public hospital. Psychother Psychosom. 2003;72(1):43-8.
  2. Heldt E, Kipper L, Blaya C, Salum GA, Hirakata VN, Otto MW, et al. Predictors of relapse in the second follow-up year post cognitive-behavior therapy for panic disorder. Rev Bras Psiquiatr. 2011;33(1):23-9.
  3. Manfro GG, Heldt E, Cordioli AV. Terapia cognitivo-comportamental no transtorno de pânico. In: Cordioli AV, editor. Psicoterapias: abordagens atuais. Porto Alegre: Artmed; 2008. p.431-48.
  4. Roy-Byrne P, Craske MG, Sullivan G, Rose RD, Edlund MJ, Lang AJ, et al. Delivery of evidence-based treatment for multiple anxiety disorders in primary care: a randomized controlled trial. JAMA. 2010;303(19):1921-8.

Autores

Gisele Gus Manfro
Elizeth Heldt
Carolina Blaya Dreher