Psicoterapia no transtorno obsessivo-compulsivo: Evidências de eficácia e efetividade da terapia cognitivo-comportamental
Ver também
- Psicoterapia no transtorno obsessivo-compulsivo
- Obsessões, compulsões e evitações
- Visão geral da TCC como tratamento do TOC
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
- Alta da terapia e prevenção de recaída
- TCC e farmacoterapia
TCC como primeira escolha
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) com técnicas de exposição e prevenção de respostas ou rituais (EPR) é a abordagem psicoterápica considerada de primeira escolha para o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e a que tem maiores evidências de efetividade no tratamento do transtorno.
A eficácia foi verificada em diversos ensaios clínicos e metanálises, consolidando-se definitivamente como tratamento de primeira escolha para o TOC.1-7
O tamanho de efeito é muito grande, de 1,31 na comparação com lista de espera e de 1,33 na comparação com placebo, e semelhante tanto no tratamento individual como no de grupo.6 É um dos maiores tamanhos de efeito observados com as psicoterapias.
A efetividade é maior quando predominam rituais (lavagens, verificações, ordenamento e simetria) e os sintomas são de intensidade leve ou moderada.
A eficácia é superior à dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) (tamanho de efeito de 0,55).
A TCC está associada a um índice menor de recaídas depois da alta do que o que se observa com a interrupção de medicamentos e, como já foi comentado, é eficaz mesmo em pacientes que não respondem ou respondem parcialmente ao tratamento com psicofármacos.2,8
As principais desvantagens da TCC, no entanto, são seu custo inicial maior e a necessidade de um terapeuta treinado, que conheça bem a TCC e a psicopatologia do TOC, e que tenha experiência em tratar pacientes com o transtorno.
Já os medicamentos antiobsessivos podem ser administrados por qualquer médico que conheça os ISRSs e a clomipramina, bem como seus efeitos colaterais, e saiba como administrá-los.
TCC em grupo
Diversos ensaios clínicos controlados e metanálises comprovaram uma eficácia da TCC em grupo2,9 semelhante à da terapia de EPR individual5 ou à da sertralina.4
Seus efeitos se mantêm por até 2 anos depois da alta.10,11
A TCC em grupo apresenta uma relação custo-benefício mais favorável, com estimativa de custo 5 vezes menor do que os gastos com a terapia individual, além de disponibilizar o tratamento a um número maior de pessoas.
É, portanto, um enfoque interessante para o uso em instituições com grande demanda de atendimento.
Referências
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
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Autores
Aristides Volpato Cordioli
Analise de Souza Vivan
Daniela Tusi Braga