Psicoterapia no TOC: Alta da terapia e prevenção de recaída

Psicoterapia no transtorno obsessivo-compulsivo: Alta da terapia e prevenção de recaída

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Visão geral

Quando os sintomas do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) são leves ou moderados e não existem comorbidades associadas, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) costuma ser breve, com duração de 10 a 20 sessões. Em casos graves, pode prolongar-se por muitos meses.

No início da terapia, as sessões costumam ser semanais, mas, à medida que os sintomas são eliminados, é habitual o espaçamento das sessões, que passam a ser quinzenais, mensais e até semestrais.

No final das sessões do tratamento, é importante orientar o paciente sobre o significado de eventuais lapsos, que devem ser diferenciados de recaídas. Estas são o retorno mais consistente dos sintomas, e demandam a retomada da terapia o mais breve possível.

Especialmente se os sintomas forem muito graves, se já ocorreram recaídas e se existe ainda algum sintoma residual, é interessante, por algum tempo, planejar sessões de reforço ainda que em intervalos maiores (mensais, a cada 2 a 3 meses), durante um período mais longo.

De qualquer maneira, as possibilidades de recaídas são sempre altas em pacientes com sintomas graves, que apresentam o quadro sintomático por longo tempo, com início ainda na infância e, em especial, para aqueles que, ao fim do tratamento, exibem sintomas residuais. Por esse motivo, a meta deve ser sempre a eliminação completa dos sintomas.

A manutenção de alguma forma de tratamento no longo prazo tem-se revelado efetiva para impedir recaídas.

Estratégias de prevenção de recaída

Na fase final da terapia e antes da alta, deve ser reservado algum espaço na agenda, de 1 ou mais sessões, para a discussão de estratégias que possam auxiliar o paciente a manter os ganhos terapêuticos e prevenir lapsos ou recaídas.

É importante o paciente ter claro as situações (lugares, objetos, horários) que ativam suas obsessões e o impelem a realizar rituais ou adotar comportamentos evitativos.

É necessário preparar, com antecedência, estratégias de enfrentamento (“como vou me comportar”) para o paciente lidar adequadamente com as situações-gatilho: por quanto tempo, onde, de que forma (p. ex., “Vou sentar na cama, durante 15 minutos, com a roupa da rua quando chegar em casa”, “Não vou levar meu álcool quando sair para o trabalho”).

É importante também estar atento para o autocontrole e não executar, de forma automática, os rituais a que estava habituado nas situações ativadoras. Procurar se distrair e se entreter durante as situações de risco com outros pensamentos ou com atividades práticas como forma de reduzir a aflição e o impulso de realizar rituais.

Além disso, recomenda-se ao paciente tratar a depressão ou outros transtornos psiquiátricos associados, fazer revisões periódicas com o terapeuta, não interromper o uso de medicamentos sem combinar com o médico, participar das associações que congregam os indivíduos com TOC e saber tudo sobre o transtorno (ler sobre o assunto, acessar sites, assistir a palestras).

O paciente pode, ainda, conversar consigo mesmo, dando ordens: “Você tem condições de se controlar!”, “Não vá verificar se a torneira está fechada!”, etc.

O uso de lembretes também é útil: “A aflição não dura para sempre!”, “Isso é o TOC!” ou “Cuidado com o TOC!”.

Referência

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

Autores

Aristides Volpato Cordioli
Analise de Souza Vivan
Daniela Tusi Braga