Psicoterapia no TOC: TCC e farmacoterapia

Psicoterapia no transtorno obsessivo-compulsivo: Terapia cognitivo-comportamental e farmacoterapia

Ver também

Visão geral

Tanto a psicoterapia como os medicamentos apresentam limitações e, eventualmente, contraindicações.

Embora haja controvérsias sobre se existem ou não vantagens em associar medicamentos à terapia cognitivo-comportamental (TCC) para o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), consensos de especialistas e diretrizes sugerem que, sempre que possível, associe-se a TCC a medicamentos.1,2

É interessante, por exemplo, a observação de que a TCC parece eficaz mesmo em pacientes que não respondem ou respondem parcialmente ao tratamento com psicofármacos.3,4

Em alguns casos, entretanto, uma das duas modalidades terapêuticas pode ser a preferencial, pelo menos no início do tratamento.

TCC

A TCC pode ser a escolha para pacientes nos quais predominam compulsões e comportamentos evitativos, cujos sintomas obsessivo-compulsivos são de intensidade leve a moderada, que não toleram os efeitos colaterais dos medicamentos ou não aceitam utilizá-los e que não apresentam comorbidades que exigem a adição de farmacoterapia.

É, ainda, o tratamento de escolha para gestantes, indivíduos com TOC e transtorno bipolar comórbido (possibilidade de viradas maníacas com o uso dos antiobsessivos) ou outros pacientes para os quais possa existir alguma contraindicação para o uso de medicamentos.

Farmacoterapia

Os medicamentos são o tratamento de escolha quando:

  • Os sintomas obsessivo-compulsivos são graves ou incapacitantes.
  • Há sintomas depressivos ou de ansiedade graves.
  • Há convicções quase delirantes em relação ao conteúdo das obsessões.
  • Há comorbidades associadas que exigem tratamento medicamentoso.
  • O paciente recusa ou não adere aos exercícios da TCC.

TCC vs. farmacoterapia

O percentual de pacientes que respondem à TCC é bem maior do que o percentual dos que melhoram com o uso de medicamentos.

A redução da intensidade dos sintomas também é maior e costuma manter-se no longo prazo, enquanto, com os medicamentos, em geral, a redução dos sintomas é parcial, e ocorrem recaídas se o tratamento é interrompido.

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Obsessive-compulsive disorder: core interventions in the treatment of obsessive-compulsive disorder and body dysmorphic disorder. Br Psychol Soc Royal College Psychiatr. 2006.
  2. Koran LM, Hanna GL, Hollander E, Nestadt G, Simpson HB. Practice guideline for the treatment of patients with obsessive-compulsive disorder. Am J Psychiatry. 2007;164(7):5-53.
  3. Simpson HB, Foa EB, Liebowitz MR, Ledley DR, Huppert JD, Cahill S, et al. A randomized, controlled trial of cognitive-behavioral therapy for augmenting pharmacotherapy in obsessive-compulsive disorder. Am J Psychiatry. 2008;165(5):621-30.
  4. Cordioli AV, Heldt E, Braga DT, Margis R, Basso M, Tonello JF, et al. Cognitive-behavioral group therapy in obsessive-compulsive disorder: a randomized clinical trial. Psychother Psychosom. 2003;72(4):211-6.

Autores

Aristides Volpato Cordioli
Analise de Souza Vivan
Daniela Tusi Braga