Psicoterapia no TOC: Obsessões, compulsões e evitações

Psicoterapia no transtorno obsessivo-compulsivo: Obsessões, compulsões e evitações

Ver também

Obsessões

São pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes, experimentados como intrusivos e indesejados, e que, na maioria dos indivíduos, causam ansiedade acentuada ou sofrimento.1

As obsessões mais comuns são:

  • Os medos de contaminação e a preocupação com germes/sujeira.
  • As dúvidas seguidas de verificações.
  • Os pensamentos, impulsos ou imagens indesejados e perturbadores de conteúdo violento ou agressivo (ferir outras pessoas), de conteúdo sexual impróprio (molestar uma criança) ou blasfemo (ofender a Deus).
  • Os pensamentos supersticiosos relacionados a números, cores, datas ou horários.
  • A preocupação de que as coisas estejam alinhadas, simétricas ou no lugar “certo”.
  • O ato de armazenar, poupar ou guardar coisas inúteis (acumulação compulsiva).

Acesse aqui um Exemplo clínico (1)

Acesse aqui um Exemplo clínico (2)

O modelo cognitivo-comportamental do TOC considera as obsessões como o sintoma primário do transtorno. Segundo esse modelo, são as obsessões que induzem o indivíduo a adotar medidas destinadas a suprimi-las ou neutralizá-las.

Entre essas medidas, estão a realização de compulsões ou rituais, as evitações, as neutralizações, a hipervigilância e a indecisão/lentidão obsessiva.

Compulsões

Compulsões, rituais compulsivos ou, simplesmente, rituais são comportamentos repetitivos ou atos mentais que o indivíduo se sente compelido a executar em resposta a uma obsessão ou em virtude de regras que devem ser rigidamente aplicadas.1

Na maioria das vezes, o indivíduo não consegue resistir a executar esses comportamentos – por exemplo, verificar as portas e janelas repetidas vezes antes de deitar; lavar repetidamente as mãos e o antebraço com álcool ou detergente até ficarem vermelhos; ou lavar o celular, a carteira e as chaves do carro sempre que utiliza esses objetos.

As compulsões são precedidas por um senso interno de pressão para agir, que pode ser decorrente de um pensamento catastrófico (verificar o gás, o fogão e os eletrodomésticos antes de sair para o trabalho, porque a casa poderia incendiar) ou de uma sensação de desconforto (alinhar os objetos porque eles não estão no lugar “certo”).

Podem, ainda, ser atos mentais realizados em silêncio, como contar, repassar cenas acontecidas, repassar argumentos.

Algumas compulsões podem não ter conexão realística com o que pretendem neutralizar ou prevenir – por exemplo, não pisar nas juntas das lajotas da calçada ou alinhar os chinelos ao lado da cama antes de deitar para que não aconteça algo de ruim à família; dar três batidas em uma pedra da calçada ao sair de casa para que a mãe não adoeça; ou não usar roupa preta ou vermelha para que o marido não se acidente no trânsito.

Nesses casos, subjacente a esses rituais, em geral existe um pensamento ou uma obsessão de conteúdo mágico, muito semelhante ao que ocorre nas superstições, em que a pessoa acredita poder agir a distância ou no futuro e prevenir desgraças.

Evitações

As evitações, ou comportamentos evitativos, têm uma função semelhante à das compulsões. São atos voluntários destinados a impedir o contato direto ou imaginário com objetos, locais, situações, pensamentos ou imagens percebidos como perigosos ou indesejáveis e que têm a propriedade de ativar as mais diversas obsessões.

São executados com a finalidade de afastar ameaças, reduzir o medo e prevenir a ansiedade e o desconforto associados às obsessões.

As evitações mais comuns são as relacionadas ao medo de contaminação, sujeira ou nojo: evitar banheiros públicos; usar lenço ou papel para tocar nos objetos; ou usar luvas para cumprimentar as pessoas.

Outras evitações incluem: não usar uma roupa de determinada cor; não fazer coisa alguma em determinada data ou em determinado horário para não acontecer uma desgraça no futuro; ou evitar certos canais de TV ou ajustar o volume do som do carro em números específicos.

Acesse aqui um Exemplo clínico (3)

Acesse aqui um Exemplo clínico (4)

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. American Psychiatric Association. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5.ed. Porto Alegre: Artmed; 2013.

Autores

Aristides Volpato Cordioli
Analise de Souza Vivan
Daniela Tusi Braga