Psicoterapia no transtorno de insônia: Breve histórico

Psicoterapia no transtorno de insônia: Breve histórico

Ver também

Introdução

Desde a Antiguidade, existe interesse em compreender o sono.

No entanto, foi no último século que diversas contribuições para o desenvolvimento da pesquisa e do conhecimento nessa área ocorreram: estudos eletrencefalográficos durante o sono, identificação do sono REM (do inglês rapid eye movement), desenvolvimento e publicação de manuais com normas para definição dos estágios do sono e eventos registrados nos exames de polissonografia, classificações dos distúrbios do sono, além de pesquisas nas áreas de neurofisiologia, bioquímica, genética, neuroimagem e estudos epidemiológicos.

Todos esses aspectos propiciaram maior compreensão dos mecanismos associados ao sono e suas consequências.

Da mesma forma, o tratamento dos transtornos do sono tem recebido crescente atenção nas últimas décadas, tanto no que se refere aos fármacos quanto a técnicas e abordagens psicoterápicas.

O interesse pelas possíveis razões envolvidas na ocorrência da insônia já tem longa data.

Modelos teóricos

Há mais de 40 anos, têm sido propostos diferentes modelos teóricos visando compreender a ocorrência da insônia e consequentemente embasar abordagens para seu tratamento.

Ainda na década de 1970, foram desenvolvidas as instruções de controle de estímulos,1 as quais se tornaram um componente de intervenção em insônia muito estudado.

Na década de 1980, destacou-se a intervenção comportamental de restrição do sono.2

Também já foi proposto que pacientes insones se sentem ansiosos e alertas à noite e que isso pode ser decorrente do fato de eles se preocuparem e terem ruminações quanto a não serem capazes de adormecer. Foram desenvolvidos estudos que avaliaram esses enfoque, e os resultados apontaram para a importância de atribuições e expectativas quanto aos sintomas de insônia.1

De fato, diferentes modelos – como o modelo de controle de estímulos, o modelo dos três fatores (3Ps), o modelo neurocognitivo, o modelo de inibição psicobiológica e o modelo cognitivo – têm sido propostos (ver Modelos teóricos para compreensão da ocorrência e/ou perpetuação da insônia), e muitos deles servem como fundamentação teórica para as abordagens psicoterápicas.

Mais recentemente, a eficácia de intervenções baseadas em mindfulness para tratamento de insônia também passou a ser alvo da atenção de diferentes profissionais.

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. Harvey AG, Tang NK, Browning L. Cognitive approaches to insomnia. Clin Psychol Rev. 2005;25(5):593-611.
  2. Spielman AJ, Saskin P, Thorpy MJ. Treatment of chronic insomnia by restriction of time in bed. Sleep. 1987;10(1):45-56.

      Autores

      Regina Margis