Psicoterapia no transtorno de insônia: Avaliação do paciente
Ver também
- Psicoterapia no transtorno de insônia
- Breve histórico
- Modelos teóricos para compreensão da ocorrência e/ou perpetuação da insônia
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC)
- Terapia cognitiva
- Evidências empíricas de eficácia
Aspectos relacionados à insônia
- Quando a insônia começou?
- Como se apresentava no início? E agora?
- Momento da noite em que ocorre?
- Duração da vigília depois de deitar para dormir?
- Qual é a frequência dos episódios de insônia ao longo da semana/do mês?
- Há fator desencadeante identificado?
- Quais são os fatores percebidos que pioram e melhoram a insônia?
- Qual é o impacto da insônia na vida do paciente e de seus familiares?
- Quais são as preocupações relacionadas à insônia?*
- O que costuma fazer quando não consegue conciliar o sono?*
- Quais foram os tratamentos já realizados? Quais deles obtiveram êxito?
- O que considera como dormir bem?*
- Quando ocorria o dormir bem?
* Estas são perguntas diretas.
Aspectos relacionados a ambiente de dormir, comportamentos e hábitos
- Como é o ambiente onde dorme (p. ex., luminosidade, temperatura, nível de ruído, cama, percepção de conforto do ambiente, presença de televisão ou equipamentos eletrônicos)?
- Em qual horário vai para a cama (nos dias de semana e nos fins de semana)?
- Em qual horário adormece?
- Ocorrem despertares durante a noite (frequência, duração e fator desencadeante)?
- Qual é o horário de acordar pela manhã? E de levantar (nos dias de semana e nos fins de semana)?
- Há roncos?
- Ocorrem movimentos anormais durante o sono?
- O sono é agitado?
- Já se machucou durante o sono? Ou já machucou o companheiro de cama durante o sono?
- Tem pesadelos?
- Como se sente ao despertar?
- Como se sente ao longo do dia?
- Apresenta sonolência diurna, irritabilidade, fadiga, redução de iniciativa, déficit de concentração, memória ou atenção, prejuízo no desempenho social, familiar, ocupacional ou acadêmico; propensão a erros ou acidentes?
- Tem algum hábito antes de dormir?
- Usa dispositivos como celular, computador, televisão (horário e local)?
- Pratica atividade física (quais atividades, horário e frequência)?
- Quais atividades exerce ao longo do dia?
- Em qual horário realiza seu trabalho?
- Qual o tipo e o horário das refeições?
- Consome café, chá, álcool, chocolate, energéticos, cigarro (quantidade, frequência e horários)?
- Usa drogas ilícitas?
- Qual o momento do dia em que se percebe mais sonolento? E mais desperto?
- Em qual turno prefere realizar suas atividades?
Avaliação e diagnóstico
Acabamos de citar alguns dos questionamentos que devem ser feitos na avaliação do paciente com insônia. Questionar sobre hábitos relacionados ao sono e à vigília permite uma maior compreensão de sua rotina.
Além dos tópicos citados, deve-se investigar a ocorrência prévia e atual de doenças médicas, transtornos psiquiátricos (depressão, transtornos de ansiedade, abuso de substâncias) e medicamentos em uso, bem como problemas situacionais (p. ex., conflitos familiares ou no trabalho, etc.). Além disso, é importante avaliar o padrão de relacionamento social e familiar e obter informações sobre antecedentes familiares e pessoais quanto a alterações no sono.
Logo, além de estar ciente de seus sinais e sintomas (obtidos pela anamnese e pela utilização de escalas, questionários, diário do sono, exame físico e testes complementares), conhecer o paciente contempla saber como esses sinais e sintomas são percebidos e avaliados pelo próprio paciente.
Alguns pensamentos e comportamentos disfuncionais podem ser identificados já na anamnese inicial. Essas informações podem ser obtidas por uma escuta atenta ao serem expressas espontaneamente pelo paciente ou por meio de perguntas diretas (como as assinaladas anteriormente com asterisco [*]).
Esses dados são úteis para compreender potenciais fatores perpetuadores do transtorno do sono.
Portanto, é necessário investigar diferentes manifestações prévias relacionadas ao sono e obter dados de observações feitas pelos familiares ou pelo parceiro de cama.
Também é válido conhecer as impressões do indivíduo quanto às relações que estabelece (consigo e com os outros) abrangendo sua avaliação do passado, do presente e do futuro.
Assim, a partir das informações quanto ao modo como o paciente percebe a si, o meio, os outros e sua história, associadas aos sintomas e aos significados estabelecidos, o terapeuta tem subsídios para estruturar a conceituação cognitiva (ver Terapia cognitiva). O somatório desses aspectos auxiliará o profissional a propor o tratamento adequado para cada paciente.
Referência
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
Autores
Regina Margis