Psicoterapia no transtorno de insônia

Psicoterapia no transtorno de insônia

Introdução

A insônia é o transtorno de sono mais frequente. Ela pode apresentar-se como um transtorno isolado ou estar associada a condições clínicas e psiquiátricas.

A insônia crônica, clinicamente significativa, ocorre em cerca de 10% da população.1 No entanto, podem ser observadas diferenças nos índices entre os estudos, seja pelos critérios de avaliação e diagnóstico utilizados, pela população estudada ou por características metodológicas do levantamento.

Avaliação diagnóstica

As condições que podem atuar como fatores predisponentes e precipitantes são muitas. Por exemplo, a insônia pode ser desencadeada por situações médicas, por estressores sociais ou familiares (problemas profissionais ou financeiros, conflitos nas relações interpessoais) e ser perpetuada por hábitos disfuncionais.

Na investigação clínica, devem ser questionados aspectos relacionados à insônia, padrão atual e anterior de sono, hábitos e atividades do indivíduo nos dias de semana e fins de semana, uso de substâncias (lícitas e ilícitas), bem como a história psiquiátrica e clínica, incluindo exames complementares quando necessário.

É frequente a ocorrência de insônia associada a diferentes transtornos psiquiátricos. Logo, essa associação deve ser investigada em todos os pacientes, tanto na presença de queixa inicial de insônia quanto na vigência de transtorno psiquiátrico.

Também deve-se realizar a avaliação da presença de problemas médicos, assim como pesquisar por diferentes fatores ambientais (p. ex., luminosidade, ruídos, calor ou frio exagerados), sociais e comportamentais que potencialmente atuem produzindo alterações do sono ou insônia ou agravando tais manifestações. Quando a insônia é secundária a tais condições, a remoção delas muitas vezes por si só é suficiente para melhorar o sono.

A avaliação diagnóstica adequada e a identificação dos fatores associados são fundamentais. A partir dessas informações, o profissional poderá formular hipóteses a respeito dos fatores relacionados à insônia e estabelecer o plano terapêutico.

Tratamento

O tratamento da insônia pode ser realizado por meio de abordagens farmacológicas ou não farmacológicas.

Evidências baseadas em ensaios clínicos randomizados (ECRs), revisões sistemáticas e metanálises apontam a terapia cognitivo-comportamental (TCC) como uma intervenção efetiva no tratamento da insônia.2

Porém, a utilização da TCC nos transtornos de sono não se limita à insônia.

Há um crescente número de estudos que utilizam a TCC no tratamento do transtorno do pesadelo, e seu emprego também tem sido demonstrado na habituação ao aparelho de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP, do inglês continuous positive airway pressure), bem como para promover maior adesão terapêutica de indivíduos com apneia do sono que necessitam utilizar o CPAP.

A TCC deve ser recomendada para tratamento da insônia com ou sem comorbidade psiquiátrica ou clínica.

No tratamento da insônia, podem ser utilizadas diferentes técnicas terapêuticas, assim como algumas associações entre elas. Sob o termo TCC, é identificada a abordagem que utiliza a combinação do método de tratamento que, em geral, envolve ao menos uma intervenção do componente comportamental e uma do componente cognitivista. A abordagem que envolve diferentes componentes da terapia comportamental sem o emprego da terapia cognitiva é denominada terapia comportamental multicomponente.

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Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. Lichstein KL, Taylor DJ, McCrae CS, Petrov ME. Insomnia. Epidemiology and risk factors. In: Kryger MH, Roth T. Principles and practice in sleep medicine. 6. ed. Philadelphia: Elsevier; 2017. p.761-8.
  2. van Straten A, van der Zweerde T, Kleiboer A, Cuijpers P, Morin CM, Lancee J. Cognitive and behavioral therapies in the treatment of insomnia: a meta-analysis. Sleep Med Rev. 2017;9.

      Autores

      Regina Margis