Psicoterapia nos transtornos psicóticos
Introdução
Um dos desafios do tratamento de pacientes com transtornos psicóticos está no fato de que intervenções medicamentosas, mesmo que ótimas, podem não ser suficientes para a remissão total dos sintomas.
Muitos pacientes convivem com a presença de sintomas residuais e déficits em habilidades sociais.
Nesse contexto, pacientes com transtornos psicóticos comumente necessitam de acompanhamento especializado, multidisciplinar e de longo prazo. Portanto, a abordagem psicoterapêutica desses pacientes é complementar à terapia farmacológica adequada.
O treinamento de habilidades sociais e a terapia cognitivo-comportamental (TCC) são as duas abordagens reconhecidas pela literatura para tratamento adjuvante dessas condições.
Conheça mais sobre cada uma dessas terapias por meio dos links a seguir:
O ambiente psicoterápico
Em geral, pacientes com transtornos psicóticos são mais sensíveis a ambientes turbulentos ou altamente demandantes. Por isso, o ambiente onde ocorre o tratamento deve ser tranquilo, seguro e continente, seja para intervenções individuais, seja para intervenções em grupo.
É importante evitar grande concentração de pessoas e modificações ambientais abruptas.
Em ambientes de formação de profissionais de saúde mental, sugere-se que cada paciente tenha um profissional de referência que pertença à equipe fixa.
Ambientes muito exigentes ou excessivamente rígidos podem não colaborar para a formação de vínculo e para o estabelecimento de confiança entre paciente e equipe.
De modo geral, o ambiente ideal de tratamento de pacientes com transtornos psicóticos deve ser de baixa exigência, flexível quanto a falhas, faltas ou recrudescimento de sintomas e tolerante quanto a eventuais comportamentos disruptivos, expressões inadequadas de sexualidade, interrupções e falas impróprias.
As metas de tratamento devem, na medida do possível, ser construídas com a participação do paciente e seus cuidadores. É importante que os objetivos sejam realistas, inicialmente mais modestos, e que as expectativas sejam aumentadas de acordo com os avanços do paciente.
Na interação terapêutica com pacientes com transtornos psicóticos, é essencial evitar tom de voz muito estridente ou com excesso de expressividade. A expressão verbal dirigida aos pacientes deve ser amigável.
Os terapeutas devem procurar adaptar-se ao vocabulário dos pacientes, evitando prolixidade, frases muito longas ou pressão por respostas imediatas ou claras.
Formulação de caso e planejamento do tratamento aplicado aos transtornos psicóticos
Considerando a grande heterogeneidade de apresentações sintomáticas e a ampla diversidade com relação a necessidades, desejos e possibilidades de cada paciente, uma formulação biopsicossocial individualizada é o passo inicial para planejar o tratamento de pacientes com transtornos psicóticos e selecionar as intervenções adequadas a cada caso.
A Figura 1 mostra, de forma esquemática, um modelo de formulação biopsicossocial aplicada aos transtornos psicóticos.
Recomenda-se que a formulação seja revista periodicamente, as metas sejam modificadas conforme o caso, e o plano de tratamento seja reavaliado.
FIGURA 1 | Formulação biopsicossocial aplicada aos transtornos psicóticos.
Fonte: Adaptada de Wright e colaboradores.1
Referências
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H.(Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
- Wright JH, Turkington D, Kingdon DG, Basco MR. Cognitive-behavior therapy for severe mental illness: an illustrated guide. Washington: American Psychiatric; 2009.
Autores
André Luiz Schuh Teixeira da Rosa
Juliana Unis Castan
Fernanda Lucia Capitanio Baeza