Psicoterapia nos transtornos relacionados a trauma e a estressores

Psicoterapia nos transtornos relacionados a trauma e a estressores

Introdução

Estudos internacionais sugerem que a prevalência de exposição a, ao menos, um evento estressor potencialmente traumático ao longo da vida – como assaltos, sequestros, guerras ou catástrofes naturais – é de 41 a 89%.1,2

Reações adversas a essas experiências (p. ex., pesadelos ocasionais, lembranças angustiantes, aumento de ansiedade nos dias seguintes ao evento) não são incomuns. Em seu curso normal, essas reações tendem a diminuir e desaparecer com o tempo.

Alguns indivíduos, porém, seguem um curso de adoecimento, apresentando um conjunto de sintomas intensos e persistentes após o trauma que gera prejuízos funcionais importantes ou mesmo desfechos de psicopatologia, como o transtorno de estresse agudo (TEA) e o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), conforme descritos na quinta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5).3

Em grandes centros urbanos brasileiros, em torno de 88% dos indivíduos passaram por um ou mais eventos traumáticos ao longo da vida, e aproximadamente 9% desenvolveram TEPT.1

Embora, na maioria dos casos, os sintomas pós-traumáticos em apresentação patológica surjam logo após o evento traumático, alguns indivíduos desenvolvem um transtorno relacionado ao trauma apenas depois de meses ou até mesmo anos.

A maioria dos indivíduos passou ou passará por uma experiência potencialmente traumática, entretanto apenas uma parcela deles desenvolverá quadros patológicos de TEA e TEPT.

Dependendo da natureza do trauma e de fatores sociodemográficos e culturais (p. ex., status socioeconômico mais baixo, exposição anterior a traumas, adversidades na infância, presença de estresse de aculturação em imigrantes), a chance de desenvolver um curso patológico após uma experiência traumática pode ser aumentada.3 Por exemplo, entre cidadãos de centros urbanos brasileiros que passaram por eventos traumáticos, mulheres apresentam 15,9% de chance de desenvolver TEPT, em comparação à chance de 5,1% para homens.4

Traumas de ordem interpessoal (p. ex., estupro, assalto, sequestro, tortura) estão relacionados à maior chance de desenvolvimento do TEPT quando comparados a eventos de outra natureza (p. ex., acidentes, desastres naturais).

Além disso, indivíduos com TEPT têm chance 80% maior de apresentar diagnósticos comórbidos, principalmente transtornos do humor (p. ex., transtorno depressivo maior, transtorno bipolar), de ansiedade (p. ex., transtorno de pânico, transtorno de ansiedade generalizada) e relacionados ao uso de substâncias.3

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Autores

Saulo Gantes Tractenberg
Gustavo Ramos Silva
Christian Haag Kristensen
Rodrigo Grassi-Oliveira