Psicoterapia nas deficiências intelectuais e no transtorno do espectro autista: Intervenções precoces

Psicoterapia nas deficiências intelectuais e no transtorno do espectro autista: Intervenções precoces

Ver também

Análise do comportamento aplicada (ABA)

Para os casos de transtorno do espectro autista (TEA) identificados precocemente (antes dos 4 anos de idade), a análise do comportamento aplicada (ABA, do inglês applied behavior analysis) é a intervenção mais apoiada em evidências disponível. Da mesma forma, pacientes com deficiências intelectuais também podem se beneficiar dessa abordagem.

A ABA compreende o comportamento (ações e habilidades) como influenciado pelo ambiente (influências físicas e sociais).1 Os comportamentos desejáveis podem ser aprendidos, conforme são reforçados positivamente, com bastante ênfase, pelo terapeuta. Da mesma forma, podem-se extinguir os comportamentos disfuncionais pela ausência de reforços do ambiente.

Acesse aqui um Exemplo clínico

Métodos de ABA

A intervenção precoce com a ABA é realizada em várias sessões semanais (preferencialmente 5 vezes por semana, por 2 horas diárias), na residência do paciente.

Para cada criança, é desenhado um currículo, que foca as áreas que necessitam ser estimuladas naquele caso específico. Exemplos de áreas que podem ser abordadas são: habilidades sociais, imitação, linguagem receptiva, linguagem expressiva, autocuidado, habilidades motoras, entre outras.

Da mesma forma, o terapeuta deve definir (pela história e pela observação direta) os reforços a serem utilizados para cada criança. Periodicamente, são avaliados os progressos realizados e é refeito o planejamento da intervenção, visando à aquisição de habilidades mais complexas.1

Envolvimento da família na ABA

A família precisa se envolver intensamente na implementação da ABA, garantindo a prática das habilidades ao longo de todo o dia, mesmo quando o terapeuta não estiver presente. Para isso, precisa ser treinada pelo terapeuta.

Inicialmente, a ABA era realizada apenas em um ambiente estruturado, sem outros estímulos que não a tarefa proposta e o terapeuta. Mais recentemente, entretanto, além desse tipo de intervenção, também se preconiza a realização da ABA (e a prática das habilidades desejadas) em outros ambientes, menos estruturados e mais comuns ao dia a dia da criança.1

Evidências de eficácia da ABA

Uma metanálise identificou 22 estudos sobre o uso de ABA para o tratamento de crianças com TEA. Os autores relatam um efeito positivo da ABA no funcionamento intelectual, na linguagem, nas habilidades de vida diária e no funcionamento social de crianças com TEA.2

Contudo, outra metanálise com critérios de inclusão mais restritivos não confirmou esses achados.3

As intervenções de ABA, no entanto, podem ser muito heterogêneas com relação tanto à forma (frequência de sessões, ambiente de aplicação) quanto à metodologia que as embasa.

Referências

Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.

  1. Autism Speaks [Internet]. New York: Autism Speaks Inc; 2017. [acessado em: 7 nov 2017]. Disponível em: https://autismspeaks.org/.
  2. Virues-Ortega J. Applied behavior analytic intervention for autism in early childhood: meta-analysis, meta-regression and dose-response meta-analysis of multiple outcomes. Clin Psychol Rev. 2010;30(4):387-99.
  3. Virues-Ortega J, Julio FM, Pastor-Barriuso R. The TEACCH program for children and adults with autism: a meta-analysis of intervention studies. Clin Psychol Rev. 2013;33(8):940-53.

Autores

Tais Silveira Moriyama
Tiago Zanatta Calza
Ana Soledade Graeff-Martins