Psicoterapia nas deficiências intelectuais e transtorno do espectro autista – Intervenções precoces: Exemplo clínico
C., de 30 meses, foi levado à avaliação com psiquiatra da infância e adolescência por seus pais, após a equipe da pré-escola que frequentava ter manifestado preocupação com a falta de interesse do menino em interagir com seus colegas. Os pais não observavam nenhuma dificuldade, mas C. não convivia com outras crianças no ambiente familiar. A partir da avaliação, foram detectados, além do desinteresse pela interação, pouca capacidade de contato visual, atraso no desenvolvimento da linguagem e estereotipias motoras. Foi estabelecido o diagnóstico de TEA, e C. foi encaminhado para uma clínica especializada em ABA. Após avaliação dos comportamentos de C., os objetivos iniciais do tratamento e os principais reforçadores para o menino foram estabelecidos. O currículo foi planejado com programas de estímulo ao contato visual, comportamentos de imitação e linguagem expressiva. Iniciou-se intervenção em domicílio, com sessões de 1 hora e 30 minutos, três vezes por semana. Após três meses, houve importante melhora nessas habilidades, o que permitiu à equipe reprogramar o currículo, modificando os programas propostos e incluindo os pais e a professora de C. na abordagem (foram instruídos sobre quais comportamentos deveriam ser reforçados enfaticamente de forma positiva quando adotados por C. em qualquer ambiente). Atualmente, C. está com 48 meses e apresenta melhora significativa em seu funcionamento social. Contudo, ainda manifesta estereotipias na fala e permanece em atendimento intensivo.
Referência
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H. (Orgs.). Psicoterapias: abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
Autores
Tais Silveira Moriyama
Tiago Zanatta Calza
Ana Soledade Graeff-Martins