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Classe, mecanismo de ação e farmacodinâmica
O AVP é um ácido graxo ramificado de cadeia curta derivado do ácido valérico, um ácido carboxílico de baixo peso molecular.
As ações anticonvulsivantes e estabilizadoras do humor do valproato ainda não foram especificamente identificadas e talvez não sejam as mesmas. Os efeitos anticonvulsivantes apresentam início rápido de ação, enquanto os efeitos antimaníacos são mais lentos e parecem requerer uma administração prolongada. Existem várias hipóteses sobre seu mecanismo de ação, como aumento da síntese e da redução da degradação do GABA, resultando em aumento da resposta gabaérgica; o fármaco atuaria, ainda, na membrana celular, modulando a condutância de canais de sódio voltagem-dependentes; em neuropeptídeos extra-hipotalâmicos; e em sistemas de segundo mensageiro e de neuroproteção. Tem sido descrito também um efeito neuroprotetor do AVP sobre as células e, consequentemente, sobre determinados tipos de câncer.1
Farmacocinética
O AVP e seus derivados — divalproato de sódio, divalproato de sódio de liberação prolongada e valproato de sódio — representam uma das primeiras gerações de anticonvulsivantes estabilizadores do humor. Após a ingestão, o AVP/valproato de sódio é rapidamente absorvido e atinge o pico de concentração sérica entre 1 e 4 horas, dependendo do modo como foi ingerido (com alimentos, a absorção pode ser retardada). Liga-se intensamente às proteínas plasmáticas (90%), em especial à albumina, mas é sua fração livre que atravessa a barreira hematencefálica. Mulheres e idosos tendem a apresentar concentrações de valproato livre um pouco aumentadas, até 15% maiores. Por conseguinte, para esses grupos de pacientes, frequentemente são indicadas doses um pouco menores. A biodisponibilidade da formulação de liberação imediata direta aproxima-se de 100%; já a da formulação de liberação prolongada é de cerca de 80%. A maior parte do valproato é metabolizada no fígado, gerando alguns metabólitos ativos. Ele é excretado inalterado nas fezes e na urina em uma concentração abaixo de 3%. Sua meia-vida é de 8 a 17 horas, sofrendo redução se o paciente ingerir outras substâncias que aumentem a atividade das enzimas hepáticas (p. ex., carbamazepina).
A eficácia do valproato está bem estabelecida no tratamento de episódios de mania aguda.2,3 Outras indicações psiquiátricas do AVP são na prevenção de recaídas de episódios maníacos/depressivos,4 no tratamento de pacientes com episódios depressivos, com episódios mistos e com ciclagem rápida do TB. Também é usado em combinação com os demais estabilizadores do humor na mania não responsiva à monoterapia.
Referências
Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.
- Singh D, Gupta S, Verma I, Morsy MA, Nair AB, Ahmed AB. Hidden pharmacological activities of valproic acid: a new insight. Biomed Pharmacother. 2021;142:112021. PMID [34463268]
- Bowden CL, Swann AC, Calabrese JR, Rubenfaer LM, Wozniak PJ, Collins MA, et al. A randomized, placebo-controlled, multicenter study of divalproex sodium extended release in the treatment of acute mania. J Clin Psychiatry. 2006;67(10):1501-10. PMID [17107240]
- Macritchie K, Geddes JR, Scott J, Haslam D, Lima M, Goodwin G. Valproate for acute mood episodes in bipolar disorder. Cochrane Database Syst Rev. 2003(1):CD004052. PMID [12535506]
- Bowden CL, Calabrese JR, McElroy SL, Gyulai L, Wassef A, Petty HG Jr, et al. A randomized, placebo-controlled 12-month trial of divalproex and lithium in treatment of outpatients with bipolar I disorder: Divalproex Maintenance Study Group. Arch Gen Psychiatry. 2000;57(5):481-9. PMID [10807488]
Organizadores
Aristides Volpato Cordioli
Carolina Benedetto Gallois
Ives Cavalcante Passos
Autores
Luísa Weber Bisol