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Sintomas
A intoxicação pelo AVP/valproato caracteriza-se por sedação aumentada, confusão, hiper-reflexia, convulsões, depressão respiratória, coma e morte. Disfunção do SNC é a manifestação mais comum de toxicidade, variando em gravidade, de sonolência a coma ou edema cerebral fatal. A maioria dos pacientes apresenta letargia de leve a moderada e recupera-se bem. Outros achados clínicos após superdosagens incluem depressão respiratória, náusea, vômitos, diarreia, hipotermia, hipotensão, taquicardia, miose, agitação, tremor, mioclono, hepatotoxicidade leve, hiperamonemia, acidose metabólica com ânion gap aumentado, hiperosmolaridade, hipernatremia e hipocalcemia. A letalidade por valproato é baixa (1 em 49 mil). É mais comum em crianças com idade inferior a 2 anos. O risco mais grave é a hepatotoxicidade, que, embora rara, pode ocasionar coma e óbito.
Manejo
- Caso a ingestão tenha sido recente, pode ser feita lavagem gástrica.
- Uma dose única de carvão ativado é suficiente para a maioria dos pacientes com overdose por valproato. Várias administrações são recomendadas para indivíduos que ingeriram formulações de liberação prolongada e em pacientes cujas concentrações séricas da substância continuam aumentando. O carvão ativado não deve ser administrado em pacientes sedados e que não estejam com suas vias aéreas protegidas.
- O mais importante é adotar medidas de suporte cardiocirculatórias e ventilatórias.
- Pacientes com rebaixamento do sensório podem requerer intubação para proteção das vias aéreas.
- A naloxona, um fármaco utilizado para reverter estados de coma e depressão respiratória em intoxicações por opiáceos, pode ser administrada nas doses de 0,8 a 2 mg, mas com cuidado, pois sua administração pode reverter os efeitos anticonvulsivantes do AVP. Convulsões devem ser tratadas com BZDs.
- A administração de L-carnitina (50 mg/kg/dia) pode ser recomendada para pacientes com hiperamonemia, letargia, coma e disfunção hepática.
- Hemodiálise e hemoperfusão estão indicadas quando houve ingestão de grandes quantidades do medicamento, provocando intoxicação grave que não está sendo manejada adequadamente por meio de medidas de suporte, e a fração da substância não ligada às proteínas plasmáticas é elevada.
Referência
Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.
Organizadores
Aristides Volpato Cordioli
Carolina Benedetto Gallois
Ives Cavalcante Passos
Autores
Luísa Weber Bisol