Clomipramina > Intoxicação

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Sintomas

Breve fase de excitação e inquietude, seguida de sonolência, confusão, torpor, ataxia, nistagmo, disartria, midríase, alucinações, delirium, contraturas musculares, íleo paralítico, convulsões tônico-clônicas — podendo evoluir rapidamente para o coma, muitas vezes com depressão respiratória —, hipóxia, hiporreflexia, rabdomiólise, hipotermia, hipotensão e arritmias (taquicardia ventricular, FA, bloqueios, extrassístoles).

As doses maiores que 1 g são, em geral, tóxicas, enquanto as maiores que 2 g são potencialmente letais. A toxicidade deriva de efeitos do tipo quinidina.

É particularmente importante a possibilidade de ocorrer a síndrome serotonérgica (no uso associado a outros ISRSs ou IMAOs, ou em pacientes debilitados e com problemas hepáticos), a qual se caracteriza por mioclonia, hiper-reflexia, sudorese, incoordenação motora, agitação, confusão e hipomania.

Manejo

  • Interromper o uso da clomipramina e, dependendo da gravidade, internar o paciente em um serviço de emergência. As primeiras 6 horas são as mais críticas. Se não ocorrerem alterações de consciência, alterações no ECG, hipotensão ou convulsões, o paciente pode ser transferido para uma unidade psiquiátrica.
  • Evitar o uso de APs (exceto para agitação intensa): eles podem aumentar o estado confusional.
  • Induzir o vômito ou fazer lavagem gástrica se a ingestão for recente. Adicionar carvão ativado.
  • Monitorar as funções vitais (incluindo ECG), adotando medidas para mantê-las. Completar o exame físico.
  • Fazer testes laboratoriais, incluindo dosagem sérica de ADTs. Monitorar os eletrólitos e fazer as correções necessárias.
  • Não administrar neostigmina (prostigmina) ou fisostigmina se o paciente estiver em coma, pois podem aumentar o risco de crises convulsivas ou arritmias cardíacas graves. Usar de 1 a 2 mg de neostigmina ou fisostigmina por via IV lentamente, a cada 30 a 60 minutos; ou de 1 a 2 mg, IM, a cada 60 minutos. Não administrar esses medicamentos na presença de coma, pois podem aumentar o risco de crises convulsivas ou arritmias cardíacas graves.
  • Se houver hipotensão, o paciente deve permanecer em decúbito, elevando as pernas. Levantar-se lentamente.
  • Se houver convulsões, usar diazepam IV.

Referência

Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.

Organizadores

Aristides Volpato Cordioli

Carolina Benedetto Gallois

Ives Cavalcante Passos

Autores

Marcelo Basso de Souza