Psicoterapia nas deficiências intelectuais e no transtorno do espectro autista
- Psicoeducação
- Interenções precoces (Análise do comportamento aplicada)
- Intervenções no comportamento
- Evidências de eficácia de outros modelos de intervenção
Introdução
As deficiências intelectuais (deficiência intelectual e atraso global do desenvolvimento) e o transtorno do espectro autista (TEA) encontram-se classificados, na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), em uma nova seção, a dos transtornos do neurodesenvolvimento. Esse grupo reúne condições que se manifestam muito precocemente no desenvolvimento, em geral antes do ingresso da criança na escola, e se caracterizam pela presença de atrasos ou desvios no desenvolvimento cerebral.
Muitas vezes, em um mesmo indivíduo, diagnosticamos mais de um transtorno do neurodesenvolvimento, e é muito frequente a associação de deficiências intelectuais e TEA.1 Esses dois diagnósticos ocorrem frequentemente em comorbidade, e se beneficiam de intervenções psicoterápicas semelhantes.
Abordagens psicoterápicas
Não há tratamento específico para as deficiências intelectuais ou o TEA. Os focos das intervenções, portanto, são a redução dos sintomas e a melhora do funcionamento. Do ponto de vista das abordagens psicoterápicas, os dois diagnósticos podem ser considerados de maneira associada, e três enfoques principais devem ser levados em conta:
- A psicoeducação das famílias.
- As intervenções nos casos identificados precocemente, por meio da análise do comportamento aplicada (ABA, do inglês applied behavior analysis).
- As intervenções para manejo dos comportamentos disfuncionais e para desenvolvimento dos comportamentos desejados, por meio da análise do comportamento.
Além disso, é possível associar medicamentos para o controle de alguns sintomas-alvo ou de transtornos psiquiátricos comórbidos. O nível de funcionamento e a sintomatologia podem variar imensamente entre os pacientes, o que requer um plano de tratamento individualizado.3
Outras abordagens úteis, mas que não são detalhadas aqui, incluem: estratégias educacionais (p. ex., inclusão, adaptação do currículo, métodos educacionais específicos), fisioterapia, terapia ocupacional, fonoterapia e métodos de comunicação alternativa, entre outras.
Conheça mais sobre cada uma dessas terapias por meio dos links a seguir:
Referências
Conteúdo publicado originalmente em: CORDIOLI, A. V.; GREVET, E. H.(Orgs.). Psicoterapias : abordagens atuais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 800 p.
- American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders: DSM-5. Washington: American Psychiatric Association; 2013.
- Ke X, Liu J. Intellectual disability. In: Rey JM, editor. IACAPAP e-textbook of child and adolescent mental health. Geneva: International Association for Child and Adolescent Psychiatry and Allied Professions; 2015.
- Fuentes J, Bakare M, Munir K, Aguayo P, Gaddour N, Öner Ö. Autism spectrum disorder. In: Rey JM, editor. IACAPAP e-Textbook of Child and Adolescent Mental Health. Geneva: International Association for Child and Adolescent Psychiatry and Allied Professions; 2015.
- Klin A. Autismo e síndrome de Asperger: uma visão geral. Rev Bra Psiquitr. 2006;28(1):S3-11.
Autores
Tais Silveira Moriyama
Tiago Zanatta Calza
Ana Soledade Graeff-Martins