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Gravidez

A carbamazepina está associada ao aumento do risco de defeitos no tubo neural (em especial, espinha bífida) e a outras anomalias congênitas.1

O uso em mulheres em idade reprodutiva deve levar em consideração os potenciais riscos ao feto. Em casos de mulheres com história de crises convulsivas, avaliar a relação risco-benefício do tratamento, pois as convulsões também podem causar danos ao feto.

Se a substância for continuada, realizar testes para detecção precoce de defeitos congênitos e iniciar suplementação com folato 1 mg/dia desde o início da gestação para reduzir o risco de defeitos no tubo neural. Nesses casos, é preferível o uso de monoterapia anticonvulsivante, pois o uso de medicações combinadas aumenta mais ainda o risco de efeitos teratogênicos.

No tratamento do TB, preferencialmente a medicação deve ser descontinuada, e outras opções de tratamento devem ser consideradas (principalmente com APs atípicos).

Lactação

A carbamazepina é transferida para o leite materno com uma relação de 0,4:0,7 entre a concentração no leite e a concentração no soro materno. A recomendação é de descontinuação do medicamento quando possível, levando em consideração a relação risco-benefício para a mãe e o bebê. Caso o tratamento seja mantido, a evolução do lactente deve ser monitorada (atentar para efeitos hematológicos, sinais de irritabilidade ou sedação). Caso sejam identificadas alterações, a medicação deve ser descontinuada ou a amamentação, suspensa.

Crianças

O tratamento com carbamazepina é indicado para crianças com diagnóstico de epilepsia em alguns padrões específicos de convulsão.2 A dose é de 10 a 20 mg/kg, 3 a 4 vezes ao dia. A dose máxima recomendada para crianças varia conforme a idade: 35 mg/kg/dia até 6 anos, 1.000 mg/dia de 6 a 15 anos e 1.200 mg/dia acima de 15 anos. As concentrações terapêuticas são as mesmas utilizadas para adultos.

Idosos

Pode ser necessário ajuste de dose para valores mais baixos devido ao metabolismo hepático geralmente diminuído nessa faixa etária, além da maior suscetibilidade a eventos adversos do paciente idoso (principalmente hiponatremia e efeitos cognitivos negativos).

Insuficiência hepática

Recomenda-se cautela em pacientes já em uso prévio da medicação. Considerar a redução da dose ou a troca de fármaco, visto que a carbamazepina é metabolizada principalmente no fígado e apresenta risco de descompensação da doença hepática.

Insuficiência renal

Não é necessário ajuste de dose inicial. Os ajustes de dose subsequentes devem ser baseados na resposta do paciente, na tolerabilidade e nas concentrações séricas.

Insuficiência cardíaca

A medicação deve ser utilizada com cautela, porém sem necessidade de ajuste inicial da dose. Há relatos de aumento de risco de insuficiência cardíaca com o uso de carbamazepina,3 porém a evidência é insuficiente para contraindicá-la de forma absoluta.

Referências

Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.

  1. Veroniki AA, Cogo E, Rios P, Straus SE, Finkelstein Y, Kealey R, et al. Comparative safety of anti-epileptic drugs during pregnancy: a systematic review and network meta-analysis of congenital malformations and prenatal outcomes. BMC Med. 2017;15(1):95. PMID [28472982]
  2. Beydoun A, DuPont S, Zhou D, Matta M, Nagire V, Lagae L. Current role of carbamazepine and oxcarbazepine in the management of epilepsy. Seizure. 2020;83:251-63. PMID [33334546]
  3. Timmings PL. Sudden unexpected death in epilepsy: is carbamazepine implicated? Seizure. 1998;7(4):289-91. PMID [9733403]

Organizadores

Aristides Volpato Cordioli

Carolina Benedetto Gallois

Ives Cavalcante Passos

Autores

Vanessa Gnielka