Carbamazepina > Prescrição

Ver também

Apresentações comerciais

Carbamazepina (Aché)

  • Caixas com 30 ou 500* comprimidos de 200 mg.

Carbamazepina (Brainfarma)

  • Caixas com 20, 30 ou 200* comprimidos de 200 mg.

Carbamazepina (Cristália)

  • Caixas com 20 ou 200* comprimidos de 200 mg.

Carbamazepina (EMS, Furp, Germed)

  • Caixas com 20, 30, 40 ou 60 comprimidos de 200 mg.
  • Caixas com 20, 30, 40 ou 60 comprimidos de 400 mg.

Carbamazepina (Hipolabor)

  • Caixas com 20 ou 500* comprimidos de 200 mg.

Carbamazepina (Teuto)

  • Caixas com 20, 30, 60, 100*, 200* ou 500* comprimidos de 200 mg.
  • Caixas com 20, 30, 60, 100*, 200* ou 500* comprimidos de 400 mg.

Carbamazepina (União Química)

  • Caixas com 20, 30, 60, 100*, 200* ou 500* comprimidos de 200 mg.
  • Frasco com 100 mL de suspensão oral de 20 mg/mL.

Funed-Carbamazepina (Fundação Ezequiel Dias)

  • Caixas com 200* comprimidos de 200 mg.

Tegretard (Cristália)

  • Caixas com 20 ou 200* comprimidos de 200 mg.
  • Caixas com 20 ou 200* comprimidos de 400 mg.

Tegretol (Novartis)

  • Caixas com 20, 30, 60 ou 200* comprimidos de 200 mg.
  • Caixas com 20, 30 ou 60 comprimidos de 400 mg.
  • Frasco com 100 mL de suspensão oral de 20 mg/mL.

Tegretol CR (Novartis)

  • Caixas com 20 ou 60 comprimidos de liberação prolongada de 200 mg.
  • Caixas com 20 ou 60 comprimidos de liberação prolongada de 400 mg.

Tegrezin (Cazi)

  • Caixas com 20, 200* ou 500* comprimidos de 200 mg.

Teucarba (Teuto)

  • Caixas com 20, 30, 50*, 60, 100*, 200* ou 500* comprimidos de 200 mg.
  • Caixas com 20, 30, 50*, 60, 100*, 200* ou 500* comprimidos de 400 mg.

Uni-Carbamaz (União Química)

  • Caixas com 20, 30 ou 200* comprimidos de 200 mg.
  • Frasco com 100 mL de suspensão oral de 20 mg/mL.

*Embalagem hospitalar.

Modo de usar

A dose inicial varia entre 100 e 200 mg, de 1 a 4 vezes ao dia, com aumento progressivo de 200 mg a cada 3 a 5 dias (conforme necessidade clínica e tolerância do paciente) até uma dose máxima habitual de 1.200 mg/dia dividida em 3 a 4 tomadas.

A carbamazepina pode ser administrada em diferentes horários ao longo do dia, durante as refeições. A administração da formulação em suspensão não deve ocorrer simultaneamente a outros medicamentos líquidos (inclusive os APs). A mudança da prescrição de comprimido para suspensão deve ser pela mesma dose/dia, mas dividida em tomadas mais frequentes. Se uma dose não for administrada, e o horário da próxima ingestão estiver próximo, não tomar a dose “esquecida”.

Tempo para início de ação

No tratamento da mania aguda, a carbamazepina apresenta efeito inicial dentro de poucas semanas, podendo levar entre várias semanas até alguns meses para estabilização completa do humor. O efeito como anticonvulsivante é esperado em 2 semanas.

Variação usual da dose

  • Crises convulsivas: as doses finais variam entre 600 e 1.200 mg/dia (divididas em 3 vezes ao dia) após escalonamento gradual.
  • Nevralgia do trigêmeo: a dose recomendada é de 400 a 1.200 mg/dia, dividida em 2 tomadas.
  • Mania aguda: as doses variam de 800 a 1.600 mg/dia, em média 1.000 a 1.200 mg/dia, divididas em 3 a 4 tomadas. Essas doses também são utilizadas no tratamento do episódio maníaco com características mistas.

Modo de suspender

A redução e a suspensão da carbamazepina devem ocorrer de forma lenta e gradual. A velocidade da redução depende da tolerância do paciente, visando à redução de efeitos de retirada e à diminuição do risco de reincidência do quadro. Para quadros de TB, é importante ressaltar a necessidade do tratamento contínuo. Portanto, em caso de suspensão da medicação, deve-se optar por outro fármaco de manutenção.

Em caso de efeitos colaterais graves ou reação alérgica, a suspensão da medicação deve ocorrer de forma imediata.

Indicações

Evidências CONSISTENTES de eficácia

  • Convulsões parciais com sintomatologia complexa.1
  • Convulsões tônico-clônicas generalizadas.1
  • Padrões de convulsão mistos.1
  • Episódio de mania aguda, no TB tipo I.2,3
  • Episódio maníaco com características mistas, no TB tipo I.4
  • Nevralgia do trigêmeo.5
  • Dor secundária a neuropatia diabética.6

Evidências INCOMPLETAS de eficácia

  • Manutenção profilática no TB.3
  • Transtorno esquizoafetivo.7
  • Nevralgia do glossofaríngeo.5

Contraindicações

Absolutas

  • Hipersensibilidade a carbamazepina ou ADTs.
  • História de depressão da medula óssea.
  • História de agranulocitose por clozapina.
  • Uso concomitante ou nos últimos 14 dias de IMAOs.
  • Uso concomitante de nefazodona, delavirdina ou outros inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa que são substrato de CYP3A4.
  • Primeiro trimestre de gravidez.

Relativas

  • Doenças cardiovasculares (em especial, bloqueio atrioventricular).
  • Doença hepática.
  • Doenças hematopoiéticas.
  • História de porfiria com acometimento hepático.
  • Uso concomitante de itraconazol e voriconazol.
  • Glaucoma de ângulo fechado.

Precauções e dicas

  1. Avisar o paciente sobre os efeitos colaterais iniciais mais comuns, como sonolência, ataxia, náusea, vômito, vertigem e visão borrada. Eles são comuns no início do tratamento, dose-dependentes e reversíveis. Os efeitos colaterais gastrintestinais podem diminuir se a ingestão do medicamento for concomitante às refeições.
  2. Deve-se atentar a possíveis sinais de intoxicação, que podem levar a uma reação fatal. As reações adversas mais graves ocorrem nos sistemas hematopoiético, hepático e cardiovascular.
  3. Realizar os controles laboratoriais recomendados.
  4. Deve-se investigar o uso concomitante de outros fármacos e atentar para possíveis interações medicamentosas, uma vez que a carbamazepina é um potente indutor de enzimas hepáticas, interferindo no metabolismo de vários medicamentos.
  5. Embora seja rara, pode ocorrer hepatotoxicidade, geralmente reversível. O risco é maior para crianças com menos de 10 anos, em particular na faixa de 0 a 5 anos, que estejam utilizando diversos anticonvulsivantes. Atentar para sintomas como febre, rash cutâneo, elevação de transaminases e bilirrubinas, eosinofilia e sensibilidade ou aumento do fígado. O medicamento deve ser descontinuado no primeiro sinal de rash, a não ser que esteja comprovadamente não associado ao fármaco.
  6. A carbamazepina deve ser guardada em um lugar protegido do calor ou da umidade. Sob umidade, pode perder até 1/3 de sua atividade.
  7. Indivíduos de origem asiática apresentam 10 vezes mais risco de desenvolver reação dermatológica — rara, mas grave — com o uso de carbamazepina.
  8. Estimular e assegurar o uso de métodos anticoncepcionais nas pacientes em idade fértil (devido ao risco de efeitos teratogênicos). Atentar, porém, à redução de efeito do ACO em razão da interação com a carbamazepina.
  9. Orientar o paciente a não mastigar as pílulas de liberação lenta, pois o pico plasmático pode apresentar-se muito alto.
  10. A carbamazepina, como outros anticonvulsivantes, pode aumentar o risco de ideação e/ou comportamento suicida. Isso está mais associado ao uso desse medicamento em casos de convulsão/epilepsia do que em transtornos psiquiátricos.

Referências

Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.

  1. Beydoun A, DuPont S, Zhou D, Matta M, Nagire V, Lagae L. Current role of carbamazepine and oxcarbazepine in the management of epilepsy. Seizure. 2020;83:251-63. PMID [33334546]
  2. Post R, Ketter TA, Uhde T, Ballanger JC. Thirty years of clinical experience with carbamazepine in the treatment of bipolar illness: principles and practice. CNS Drugs. 2007;21(1):47-71. PMID [17190529]
  3. Yatham LN, Kennedy SH, Parikh SV, Schaffer A, Bond DJ, Frey BN, et al. Canadian Network for Mood and Anxiety Treatments (CANMAT) and International Society for Bipolar Disorders (ISBD) 2018 guidelines for the management of patients with bipolar disorder. Bipolar Disord. 2018;20(2):97-170. PMID [29536616]
  4. Ceron-Litvoc D, Soares BG, Geddes J, Litvoc J, Lima MS. Comparison of carbamazepine and lithium in treatment of bipolar disorder: a systematic review of randomized controlled trials. Hum Psychopharmacol Clin Exp. 2009;24(1):19-28. PMID [19053079]
  5. Wiffen PJ, Derry S, Moore RA, McQuay HJ. Carbamazepine for acute and chronic pain in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2011;19(1):CD005451. PMID [21249671]
  6. Asrar MM, Kumari S, Sekhar BC, Bhansali A, Bansal D. Relative efficacy and safety of pharmacotherapeutic interventions for diabetic peripheral neuropathy: a systematic review and bayesian network meta-analysis. Pain Physician. 2021;24(1):E1-14. PMID [33400429]
  7. Muñoz-Negro JE, Cuadrado L, Cervilla JA. Current evidences on psychopharmacology of schizoaffective disorder. Actas Esp Psiquiatr. 2019;47(5):190-201. PMID [33533399]

Organizadores

Aristides Volpato Cordioli

Carolina Benedetto Gallois

Ives Cavalcante Passos

Autores

Vanessa Gnielka