Ver também
- Prescrição
- Reações adversas
- Intoxicação
- Populações especiais
- Laboratório
- Imagens (amitriptilina)
- Imagens (clordiazepóxido + amitriptilina)
Classe, mecanismo de ação e farmacodinâmica
A amitriptilina é uma amina terciária do grupo dos ADTs, estruturalmente relacionada à fenotiazina, com propriedades sedativas. Foi desenvolvida após uma modificação na estrutura da imipramina. A amitriptilina promove a inibição da recaptação de noradrenalina e (mais fortemente) da serotonina, com ação importante também sobre receptores colinérgicos, α1-adrenérgicos e histaminérgicos tipo H1. Seu principal metabólito ativo é a nortriptilina. Tem ação anticolinérgica (boca seca, visão borrada, taquicardia sinusal, constipação intestinal, retenção urinária, alterações da memória) e anti-histamínica (sedação, ganho de peso) e bloqueio α-adrenérgico (hipotensão postural, tonturas, taquicardia reflexa). Como é o antidepressivo com maior efeito anticolinérgico, tem maior probabilidade de desencadear delirium. O efeito analgésico dá-se pelo bloqueio dos canais de sódio, de forma semelhante aos anestésicos locais; esse mesmo mecanismo provoca os efeitos adversos cardíacos. Em altas doses, tem efeitos antiarrítmicos (quinidina-like), atuando como um antagonista do sódio, impedindo sua entrada nas células do miocárdio e a despolarização, afetando a condução cardíaca. Como consequência, pode ser detectado no ECG um prolongamento dos intervalos PR e QT e um alargamento do complexo QRS, podendo agravar mais bloqueios preexistentes. Por isso, é importante cautela ao prescrevê-la para pessoas com cardiopatias (particularmente bloqueios de ramo), como os idosos.
Farmacocinética
A amitriptilina tem ação rápida e é bem absorvida oralmente, com alta taxa de ligação às proteínas plasmáticas (94,8%). É metabolizada no fígado pelas enzimas do citocromo P450 2D6, onde é desmetilada em nortriptilina. Sua excreção ocorre basicamente por via renal. A sua meia-vida é de 21 horas (± 5 horas), aumentando com a idade.
Uma metanálise recente evidencia que a amitriptilina é um dos ADs mais eficazes no tratamento do TDM quando comparada a outros ADs; entretanto, está associada a menor tolerabilidade quando comparada aos ISRSs.1 A amitriptilina é empregada também no tratamento de dor crônica (incluindo enxaqueca), e a dose geralmente é menor do que a utilizada para a depressão. Novas evidências sugerem, ainda, efeito sobre outras síndromes dolorosas, como dispepsia funcional, cistite intersticial e síndrome do intestino irritável, principalmente no subtipo com diarreia associada.2-4
Referências
Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.
- Cipriani A, Furukawa TA, Salanti G, Chaimani A, Atkinson LZ, Ogawa Y, et al. Comparative efficacy and acceptability of 21 antidepressant drugs for the acute treatment of adults with major depressive disorder: a systematic review and network meta-analysis. Lancet. 2018;391(10128):1357-66. PMID [29477251]
- Zhou W, Li X, Huang Y, Xu X, Liu Y, Wang J, et al. Comparative efficacy and acceptability of psychotropic drugs for functional dyspepsia in adults: a systematic review and network meta-analysis. Medicine. 2021;100(20):e26046. PMID [34011118]
- Colemeadow J, Sahai A, Malde S. Clinical management of bladder pain syndrome/interstitial cystitis: a review on current recommendations and emerging treatment options. Res Rep Urol. 2020;12:331-43. PMID [32904438]
- Lambarth A, Zarate-Lopez N, Fayaz A. Oral and parenteral anti-neuropathic agents for the management of pain and discomfort in irritable bowel syndrome: a systematic review and meta-analysis. Neurogastroenterol Motil. 2022;34(1):e14289. PMID [34755926]
Organizadores
Aristides Volpato Cordioli
Carolina Benedetto Gallois
Ives Cavalcante Passos
Autores
Sofia Cid de Azevedo