Clozapina | Exames

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Exames prévios e/ou de acompanhamento

  • Especialmente nos primeiros 6 meses, o uso da clozapina está associado a risco de leucopenia (3%) e agranulocitose (1%), que eventualmente podem ser fatais. Recomenda-se hemograma semanal durante as 18 primeiras semanas e mensal após esse período. Em caso de queda da contagem de leucócitos (< 3.000/mm3) ou de neutrófilos (< 1.000/mm3), deve-se interromper o uso e realizar hemogramas diários até que sejam reestabelecidos leucócitos > 3.000/mm3 e neutrófilos > 1.000/mm3. Depois disso, prosseguir 2 vezes por semana até que os leucócitos estejam > 3.500/mm3 e os neutrófilos > 2.000/mm3.
  • Surgimento de febre costuma ser benigna e autolimitada; deve ser levantada suspeita de miocardite somente com base em troponina elevada e outras características de miocardite. A clozapina deve ser suspensa se a troponina for ≥ 2x o limite superior do normal ou a PCR for > 100 mg/L.
  • A miocardiopatia é uma complicação tardia; considerar ECG anual

Antes de iniciar um antipsicótico atípico

  • Pesar todos os pacientes e acompanhar o IMC durante o tratamento
  • Obter a história pessoal basal e familiar de diabetes, obesidade, dislipidemia, hipertensão e doença cardiovascular
  • Obter a circunferência da cintura (na altura do umbigo), pressão arterial, glicose plasmática em jejum e perfil lipídico em jejum
  • Determinar se o paciente
    • tem sobrepeso (IMC de 25,0 a 29,9)
    • é obeso (IMC ≥ 30)
    • tem pré-diabetes (glicose plasmática em jejum de 100 a 125 mg/dL)
    • tem diabetes (glicose plasmática em jejum > 126 mg/dL)
    • tem hipertensão (PA > 140/90 mmHg)
    • tem dislipidemia (colesterol total, colesterol LDL e triglicerídeos aumentados; colesterol HDL reduzido)
  • Tratar ou encaminhar esses pacientes para tratamento, incluindo manejo nutricional e do peso, aconselhamento de atividade física, cessação do tabagismo e manejo clínico

Monitoramento após iniciar um antipsicótico atípico

  • Monitorar IMC mensalmente por 3 meses, depois, trimestralmente.
  • Considerar o monitoramento mensal dos triglicerídeos em jejum por vários meses em pacientes com alto risco de complicações metabólicas e ao iniciar ou trocar antipsicóticos
  • Pressão arterial, glicose plasmática em jejum, lipídeos em jejum dentro de 3 meses, e depois anualmente, porém de modo mais precoce e frequente para pacientes com diabetes ou que ganharam > 5% do peso inicial
  • Tratar ou encaminhar para tratamento e considerar troca por outro antipsicótico atípico para pacientes que adquirem sobrepeso ou tornam-se obesos, pré-diabéticos, diabéticos, hipertensos ou dislipidêmicos enquanto recebem um antipsicótico atípico
  • Mesmo em pacientes sem diabetes conhecida, manter vigilância para o início raro, mas potencialmente fatal, de cetoacidose diabética, que sempre requer tratamento imediato, monitorando o início súbito de poliúria, polidipsia, perda de peso, náusea, vômitos, desidratação, respiração rápida, fraqueza e turvação da consciência, até mesmo coma
  • Testes de função hepática, ECG, exame físico geral e avaliação do status cardíaco basal antes de iniciar o tratamento
  • Testes hepáticos podem ser necessários durante o tratamento em pacientes que desenvolvem náusea, vômitos ou anorexia

Referência

Conteúdo adaptado de: STAHL, S. M. Fundamentos de psicofarmacologia de Stahl: guia de prescrição. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 834 p.

Autores

Stephen M. Stahl