Ver também
Gravidez
As decisões de prescrição durante a gravidez e a lactação são individualizadas e envolvem considerações complexas de risco-benefício materno, fetal e infantil.
A bupropiona atravessa a barreira placentária, e o custo-benefício deve ser ponderado, principalmente no primeiro trimestre, período em que foi associado à elevação do risco de defeitos cardiovasculares (embora o risco absoluto tenha sido baixo e um possível fator de confusão com o tipo de indicação não possa ser excluído – uso de nicotina). Com os estudos realizados até o momento, tem risco inconclusivo para defeitos congênitos.1,2
Embora sejam necessários mais estudos, a investigação até o momento sugere que a bupropiona pode ser uma opção de tratamento para mulheres grávidas deprimidas que necessitam de farmacoterapia, particularmente quando também estão a tentar reduzir o uso de nicotina durante a gravidez.
Lactação
Sabe-se que alguma quantidade do medicamento é encontrada no leite materno, porém há pouca informação sobre o impacto da substância no bebê. O período pós-parto imediato é de alto risco para quadros depressivos, sobretudo em mulheres com história de episódios prévios, e sabe-se que a depressão não tratada na mãe tem impacto importante no desenvolvimento do bebê.
Com as informações até o momento, é sugerido ponderar os benefícios do uso com os riscos de ser descontinuada durante a lactação. Se o bebê ficar irritável ou sedado, pode ser indício de que ou a amamentação ou a substância precisará ser descontinuada.
Crianças
Nos poucos estudos com bupropiona em crianças, o medicamento foi superior ao placebo no tratamento do TDAH, mas seu TE foi inferior ao do metilfenidato.3 Até o momento, não demonstrou eficácia em quadros depressivos em crianças.4
Os ADs aumentaram o risco de pensamentos e comportamentos suicidas em crianças, adolescentes e jovens adultos (até 24 anos) em ensaios de curta duração. A segurança e a eficácia da bupropiona na população pediátrica não foram estabelecidas. Não é aprovada pela FDA para uso nessa população.
Ao considerar o uso de bupropiona em crianças ou adolescentes, equilibrar os riscos potenciais com a necessidade clínica. Deve ser evitada em pacientes com tiques e transtorno de Tourette, comuns em crianças com TDAH.
Idosos
Não foram observadas diferenças globais de segurança ou eficácia entre idosos e indivíduos mais jovens. No entanto, como é mais provável que os pacientes idosos tenham uma função renal diminuída, e como seu metabolismo é mais lento, pode ser necessário considerar o uso de doses mais baixas.
Os efeitos colaterais mais comuns foram insônia, inquietude e agitação, que melhoraram depois de 2 semanas ou com a redução da dose.
ADs demonstraram efeito de redução do risco de suicidalidade em adultos com mais de 65 anos.
Insuficiência hepática
A bupropiona é extensivamente metabolizada no fígado para metabólitos ativos, que são ainda mais metabolizados e excretados pelos rins.
Em pacientes com insuficiência hepática moderada a grave, a dose máxima de bupropiona XL é de 150 mg, dia sim, dia não. Em pacientes com insuficiência hepática leve, considerar reduzir a dose e/ou a frequência da dosagem.
Insuficiência renal
A bupropiona é extensivamente metabolizada no fígado para metabólitos ativos, que são ainda mais metabolizados e excretados pelos rins. O risco de reações adversas pode ser maior em doentes com função renal prejudicada.
Considerar diminuir a dose e/ou a frequência em pacientes com insuficiência renal. Monitorar de perto as reações adversas que possam indicar exposições elevadas de bupropiona ou de seus metabólitos.
Insuficiência cardíaca
As informações disponíveis são limitadas. Usar com cautela.
Referências
Conteúdo originalmente publicado em Cordioli AV; Gallois CB; Passos IC. Psicofármacos: consulta rápida. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.
- Turner E, Jones M, Vaz LR, Coleman T. Systematic review and meta-analysis to assess the safety of bupropion and varenicline in pregnancy. Nicotine Tob Res. 2019;21(8):1001-10. PMID [29579233]
- Claire R, Chamberlain C, Davey MA, Cooper SE, Berlin I, Leonardi-Bee J, et al. Pharmacological interventions for promoting smoking cessation during pregnancy. Cochrane Database Syst Rev. 2020;3(3):CD010078. PMID [32129504]
- Cortese S, Adamo N, Del Giovane C, Mohr-Jensen C, Hayes AJ, Carucci S. Comparative efficacy and tolerability of medications for attention-deficit hyperactivity disorder in children, adolescents, and adults: a systematic review and network meta-analysis. Lancet Psychiatry. 2018;5(9):727-38. PMID [30097390]
- Hetrick SE, McKenzie JE, Bailey AP, Sharma V, Moller CI, Badcock PB, et al. New generation antidepressants for depression in children and adolescents: a network meta-analysis. Cochrane Database Syst Rev. 2021;5(5):CD013674. PMID [34029378]
Organizadores
Aristides Volpato Cordioli
Carolina Benedetto Gallois
Ives Cavalcante Passos
Autores
Eduardo Schneider Vitola
Eugenio Horacio Grevet